sexta-feira, 16 de abril de 2010

Minha História com o Rock - Capítulo 2

Dando sequência a mais um capítulo da saga "Minha História com o Rock", nessa segunda parte vou contar os primórdios das minhas empreitadas musicais e posteriormente as bandas que fiz parte ao longo dos anos. Pra quem ainda não leu a parte 1, é só clicar AQUI.

Infelizmente eu não possuo um registro fotográfico completo mas vou postar o material que eu tenho disponível pra vcs.

Parte 2

Conforme eu mencionei na parte 1, tudo começou por volta do ano de 1991, quando conheci meu vizinho Fabio e minha amiga dos tempos de escola, a atriz Miriam Roia. Essa menina foi certamente uma das minhas maiores influências musicais. Nessa época eu fui apresentado, entre uma grande quantidade, a algumas das bandas que hoje sou fã, como Kiss, Iron Maiden, Mötley Crüe e Megadeth, isso pra ficarmos só com essas bandas e encurtarmos a lista.




A Miriam foi a principal "culpada" pelo meu gosto pelo Hard Rock e peça-chave na apresentação de Skid Row, Crüe, Warrant e outras bandas do gênero. Além de ser uma conhecedora natural das bandas da época, ela era responsável por gravar fitas VHS dos clips que rolavam na MTV, uma vez que a transmissão era feita em UHF e nós não tínhamos uma antena em casa que me permitisse assistir a MTV descentemente. O jeito era assistir as gravações em VHS que a Miriam fazia pra mim.

Quando eu e minha família mudamos de casa no mesmo ano de 91, acabei herdando do meu tio, um violão Gianini, o mesmo que me acompanha até hoje (com um upgrade no captador de som além dos cuidados estéticos). O Fabio me deu algumas dicas e a partir daí comecei a treinar dia e noite com aquelas revistinhas de cifras. Não lembro mais qual foi a primeira música que aprendi mas lembro que comecei com Legião Urbana, Paralamas e Barão Vermelho. Vale lembrar que no início dos anos 90 não possuiamos internet e era difícil conseguir cifras de boas músicas, principalmente pra um moleque de 15 anos e sem grana no bolso.

Mesmo eu não tendo uma técnica primorosa até hoje, gosto de dizer que nunca tive oportunidade de fazer sequer uma única aula de verdade mas nunca me faltou a vontade e a paixão de tocar guitarra. Não demorou pra que eu conseguisse minha primeira guitarra, uma Gianini Firebrand usada e com um som pra lá de embolado. O detalhe é que eu não tinha um amplificador, só a guitarra. O Fabio já tinha uma guitarra mas não lembro se tb não tinha um amp, acho que não.

Naquela época ele já promovia gravações de demo tapes com os amigos, não sei se eram composições próprias ou covers, mais tinham um som bem pesado, no estilo Napalm Death e coisas do gênero. Entre vários outros integrantes diferentes, as formações eram com o Fabio na guitarra, e outros dois caras, o Bruno e Jerônimo improvisavam alguns instrumentos. O certo é que nós quatro seríamos integrantes de uma das formações da banda "Black Shadow", mas isso eu vou falar mais adiante.

Enfim... depois que eu consegui minha guitarra veio o sonho de formar uma banda. Os amigos da vizinhança não curtiam hard Rock, popularmente conhecido no Brasil como 'Rock Farofa". Sendo assim, convenci um colega do curso de inglês que tocava guitarra que deveríamos formar uma banda de Hard Rock. Escrevemos umas 4 ou 5 letras, escolhemos o nome da banda, Thunderstorm, criamos logotipos, escolhemos covers e no fim do período do curso, depois de uns meses a banda simplesmente foi esquecida. A mãe do cara mudou ele de horário, perdemos o contato e o "Thunderstorm" nunca ganhou um mísero ensaio.

Com o tempo, fui evoluindo um pouquinho e já conseguia tocar algumas músicas de bandas de rock como "I'll Be There For You" e "Never Say Good Bye" do Bon Jovi e "Patience" e "Knockin' On Heaven's Door" que passavam direto na MTV, nos clips do Guns N' Roses. Aliás, se tem uma coisa que todos nós aprendemos com o tempo, é que podemos curtir qualquer estilo de som, desde Slayer até Poison, sem perdermos nossa identidade musical. Ninguém precisa ficar preso a um único estilo.

No ano de 1993 eu já detinha um certo prestígio e destaque na minha escola por promover as famosas rodinhas de violão tocando, junto com alguns colegas de classe, clássicos do Guns N' Roses e outros sucessos da época. Já com um bom entrosamento musical entre eu e o Fabio, surgiu a oportunidade de formarmos uma banda pra tocarmos na minha escola, o lendário Colégio Pedro II, em um evento promovido anualmente com o sugestivo nome de "Show de bandas".

Porém, antes de relatar como foi aquele show, preciso contar como a banda "Black Shadow" tomou forma. Não me lembro de onde ou quem deu a idéia do nome mas o curioso é que a formação que tocaria no teatro CPII se juntou apenas pra esse único show. A formação original era eu e o Fabio nas guitarras, meu amigo de escola Alexandre Francis nos vocais e outro colega de classe, Wilson, tocando contra-baixo. Quero destacar que , além de mim, o Francis tinha uma postura altamente Rock Star na escola e juntos eramos como Axl e Slash, Jon Bon Jovi e Richie Sambora, etc. Pra função de baterista, Wilson convidou um vizinho dele, cujo nome não me recordo, mas que já tinha uma banda e certa experiência.


Formação original do Black Shadow em ação
(Eu, Wilson e Francis)

Pois bem... Banda montada e 4 moleques de 16 anos sem experiência de palco, show marcado e uma legião de espectadores prontos pra nos assistir. O setlist pro show seria um apanhado do que eu e o Fabio já estavamos acostumados a tocar no dia a dia e que por consequência era basicamente o mesmo que eu tocava com os caras na escola. Cerca de 8 músicas que passavam por Titãs, Ramones e Nirvana. Só que o detalhe mais interessante foi que a banda efetivamente nunca ensaiou junta. Eu e o Fabio tinhamos um bom entrosamento como dupla, assim como eu, Wilson e Francis tinhamos um bom entrosamento em tocar na escola mas nunca ensaiamos todos juntos com os instrumentos plugados. Mas quem se importava? Minha segurança era tanta que pelo menos eu tinha convicção de que nada podia dar errado. Ledo engano...

Chegamos no teatro algumas horas antes da apresentação, nos sentido a maior banda do planeta e com direito a fotos (essas do post) e filmagem (perdida no tempo). Éramos a terceira de um total de 6 bandas no cast. O primeiro baque veio logo cedo: Wilson chegou sem o baterista. O cara deu uma desculpa qualquer na noite anterior e não foi ao show, deixando o Black Shadow na mão. Aquele show pra gente era como tocar no "Monster of Rock" da Inglaterra e não podiamos desistir. Graças a minha influência, antes do evento começar, conseguimos arrumar as pressas um baterista que conhecia o nosso setlist e estava disposto a encarar a roubada de tocar sem ensaiar. Ficamos tocando as músicas no backstage e nessa hora o nervosismo já tinha chegado ao nível máximo em todos.


Formação original do Black Shadow em ação
(Fabio, Wilson e Eu)

O teatro estava cheio e toda a nossa turma tinha ido nos assistir. O segundo baque do dia foi que nossos instrumentos demoraram uma eternidade pra serem ligados depois da banda anterior e ainda assim os "técnicos de som" não se entendiam e não conseguiam equalizar o som. Já com o tempo da programação do evento estourado, precisamos iniciar o show e assim fomos apresentados por um dos organizadores, integrante por integrante, para ovação geral.
O Black Shadow fez a sua estréia em 21 de Agosto de 1993, no teatro Mario Lago no show de bandas do CPII. Não preciso detalhar que o show foi um desastre e total frustração.


Formação original do Black Shadow em ação
(Fabio no canto esquerdo, Minha guitarra vermelha encoberta, Wilson e Francis)

O som estava um lixo, sem nenhum retorno e nós mal conseguiamos nos escutar. Nossa vontade era cair fora daquele palco. Dezenas de pessoas tinham ido nos assistir e um vexame gigantesco estava tomando forma. No final da quarta música fizemos uma rápida reunião e decidimos encerrar a apresentação. Wilson foi o encarregado de comunicar ao público nosso descontentamento com a equipe de som e que estavamos deixando o palco. O que tinha tudo pra acabar ainda pior acabou sendo amenizado quando a platéia nos apoiou e aplaudiu o discurso do Wilson, que entre outras coisas, esbravejou que a qualidade ruim do som e a falta de retorno estava atrapalhando nossa performance. Tá certo que a falta de ensaio pesou mas o discurso do Wilson não deixou de ser verdade né? A galera ainda vibrou muito quando, em uma atitude muito rock n' roll, eu girei e joguei meu colete pra turma que estava logo na primeira fila. É claro que eu peguei de volta depois rrrrsss
Sem nenhum exagero da minha parte, metade do público deixou o teatro junto com a banda e a reputação dos integrantes do Black Shadow na escola como rock stars bad boys se manteve intacta.

No próximo capítulo, as variadas formações do Black Shadow.

abçs

Rodz

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