segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Heavy Metal e o Preconceito


Achei muito bom o artigo escrito pelo Andreas Kisser, músico e guitarrista do Sepultura, em sua coluna no Yahoo! sobre o heavy metal e o preconceito. Andreas também participa dos projetos Brasil Rock Stars, onde toca repertório de clássicos do rock, e HAIL!, fazendo covers de bandas clássicas do heavy metal. Antes de mais nada eu quero deixar claro que concordo apenas em parte com a visão do Andreas. Penso que a sociedade no geral tem preconceito com o Heavy metal sim, mas acho que as bandas de metal deveriam se unir mais no sentido de melhorar essa imagem. Enfim, confiram o artigo e tirem suas próprias conclusões:

É chover no molhado falar do preconceito que o heavy metal sofre da sociedade em geral, seja pelo estilo barulhento do som, pelo visual agressivo, cabelos compridos ou pelas tatuagens. Isso tudo assusta muita gente que não consegue entender esta filosofia de vida, este estranho gosto musical mas, mesmo assim, gostaria de abordar este assunto mais uma vez.

Quando estava nos Estados Unidos, no começo deste ano, assisti ao vivo a campanha que astros do cinema e da música fizeram na TV para arrecadar fundos para ajudar o Haiti depois do terremoto devastador que atingiu o país. O show foi fantástico, todos os grandes nomes da mídia artística mundial estavam participando, em diferentes países, atendendo os telefones que recebiam as doações, cantando, tocando, fazendo discursos emocionados e parcerias inusitadas, tudo num clima de união e solidariedade. Estavam presentes Beyoncé, Sting, Clint Eastwood, Tom Hanks, Julia Roberts, Bono, The Edge, Rhianna, Kid Rock, Sheryl Crow entre tantos outros.


Mas ninguém do heavy metal foi convocado. Não estavam nem o Ozzy, nem o Bruce Dickinson, nem o Robert Plant, muito menos o Eddie Van Halen ou o James Hetfield. Ninguém representava a música pesada num momento tão importante, de união, de ajuda e, principalmente, de deixar os preconceitos de lado. Por quê? Seria politicamente incorreto chamar algum músico que canta sobre coisas agressivas num momento de tragédia como este? O fã de heavy metal não teria condições, financeiras ou culturais, de fazer doações, de participar mais ativamente do movimento da classe artística como cidadão?

Quando Micheal Jackson e Quincy Jones produziram a música “We are the world”, com os maiores músicos da época, e que arrecadou dinheiro para luta contra a fome na África, não contou com ninguém do heavy metal também. Então, Ronnie James Dio, lendário vocalista do Rainbow e do Black Sabbath, se mexeu e produziu o “Hear n’Aid, We’re stars”, que foi uma versão heavy metal do “We are the world”.


A ideia foi a mesma: chamar os grandes nomes do metal para gravar uma música com o mesmo fim, a luta contra a fome na África. Creio que foi uma atitude louvável e corajosa de Dio, uma resposta aos que ignoraram a força que o metal pode ter em situações como esta. Foi um grande sucesso, principalmente o videoclipe, que mostrava os ídolos da música pesada no estúdio gravando o tema escrito por Dio.




Aqui no Brasil nós temos o “Criança Esperança”, um grande show produzido para a TV e transmitido para o país inteiro. É uma parceria entre a UNESCO e a Rede Globo e tem o mesmo objetivo de arrecadar dinheiro para ajudar as crianças pobre do país. A festa conta com a classe artística brasileira, nos mesmos moldes que a campanha feita na TV americana. É um movimento muito bem organizado, liderado pelo mestre do humor Renato Aragão e todos os anos arrecada milhões de reais que são distribuídos para várias instituições que nescessitam de ajuda. Muitas bandas de vários estilos musicais já participaram e ajudaram a motivar a população a fazer as doações, e mais uma vez, o heavy metal é totalmente ignorado.


O público de metal é gigantesco no Brasil, é um público unido e que se fosse mais respeitado, apoiaria qualquer campanha de ajuda humanitária mas, como éesquecido e não se sente parte da “festa”, simplesmente não apoia, não liga e não doa. Se é o povo do Brasil que se une para ajudar a quem precisa, então todos tem que participar, serem ouvidos e respeitados, deixando banalidades e preconceitos de lado. Tenho certeza que se bandas como o Angra, Ratos de Porão, Dr. Sin ou o próprio Sepultura, só pra citar alguns exemplos, participassem destes eventos, os fãs de heavy metal seriam mais solidários e participativos, contribuindo ainda mais para a causa.

É claro que há problema de que muitas bandas de metal não se “misturam”, são radicais e de alguma forma se sentem superiores, agem como se fossem melhores do que os outros, como se não fizessem parte da sociedade e, de certa forma, tem vergonha de serem o que são, de representar, seja lá onde for, o heavy metal. Isso também ajuda a criar esta barreira que mantém o estilo marginalizado e, consequentemente, ignorado pela grande mídia.

Nós, do metal, temos condições de sermos mais participativos e menos preconceituosos para que, os que temem a nossa imagem e estilo, possam nos respeitar e nos considerar parte de um todo, afinal estamos no mesmo barco.


Grande abraço, play it loud!

Andreas

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por participar do RODZ ONLINE. Não deixe de seguir. Sua visita e comentários mantem o blog vivo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...