domingo, 5 de setembro de 2010

Megadeth - Mustaine Fala do Livro "A Heavy Metal Memoir"


Dave Mustaine, líder, vocalista e guitarrista do Megadeth, tem dado muitas entrevistas na mídia divulgando sua recém-lançada autobiografia, "Mustaine: a Heavy Metal Memoir" que foi parar na lista dos livros mais vendidos do jornal New York Times. Lançado em agosto, o livro chegou a alcançar a 15ª e hoje ocupa a 22ª posição na lista dos mais vendidos, entre livros de não-ficção, nos Estados Unidos.

Mustaine que sempre foi conhecido por seu temperamento explosivo, também tem comentado como anda sua relação com o Metallica. Assim sendo, eu preparei uma coletânea dos melhores trechos de cada conversa. Confiram:


Sobre sua autobiografia, "Mustaine: A Heavy Metal Memoir", recentemente publicada:


"Essa história é basicamente no sentido de poder trazer alguma ajuda a outras pessoas e lhes dar um indicativo de que elas não são as únicas que passam por coisas difíceis - e que o que se tem a fazer nesses momentos é ajeitar a roupa e continuar perseverando. Há uma diferença entre alguém escrever uma história sobre você e você escrever uma sobre si mesmo. Eu queria que fosse a verdade e eu queria que fosse uma espécie de testemunho da minha vida e como eu me tornei vitorioso sobre todos os obstáculos que tive enquanto crescia.

Eu tenho quase 50 anos, e, daqui a alguns anos, os jovens não vão se importar comigo, e eu quero me certificar de que eu possa compartilhar todas essas vitórias pessoais que tive com esses garotos antes que o que eu diga ou faça não importe mais. Independentemente se sou eu ou não, é uma provação humana e é vitória pessoal e eu amo dividir isso com as pessoas. Eu sou exatamente como qualquer um. Eu fico feliz, fico triste, rio, choro, fico puto. No meu caso, o problema foi por causa de todas as drogas e álcool e abuso, você toma muitas decisões ruins e decisões ruins são seguidas de pessoas ruins, e você começa a realmente afundar na sua mente, e humor, e atitudes."

Sobre o fato de não tentar glorificar ou exaltar os erros do passado no livro:

"Eu sempre quis falar a verdade às pessoas, sobre o que aconteceu ou estava acontecendo na minha carreira. Assim, elas não iriam simplesmente pensar que eu sou uma pessoa horrível. Mas eu me lembro quando meu filho ainda era apenas um garoto pequeno, nós fizemos o 'Behind The Music' para a VH1 e eu falei sobre crack - bem, meu filho um dia estava voltando para casa no ônibus da escola e os garotos um pouco mais velhos começaram a cantar 'Your dad's a crack head' insistentemente, até conseguir fazê-lo chorar. Aquilo foi doloroso."



Sobre o fato de poder falar a diferentes gerações de fãs e poder contar sobre o que já passou em sua vida:

"Uma das coisas que eu quero que o leitor saiba é que este livro não é algo que escrevi como uma coisa egoísta ou auto-indulgente. É apenas um material onde há muitas revelações e onde eu compartilho coisas da minha vida e da minha caminhada, além de mostrar como minha vida mudou de 2002 pra cá, quando me tornei cristão. Eu, de fato, passei por alguns momentos difíceis quando resolvi dizer que sou cristão, isso porque muitos cristãos são hipócritas e fizeram com que o Cristianismo pudesse parecer algo ruim a outras pessoas. Eu acredito em Deus e em Jesus Cristo, apenas isso, nada mais. Não quero empurrar essa fé goela abaixo de ninguém. Sendo um cara que leu a Bíblia Satânica e fez bruxaria, isso é algo bacana.

Não ha tanta coisa que me intimide, porque eu já morri uma vez, já passei por todo tipo de coisa, mudanças na formação da banda, mudanças de gravadora e de empresariamento, altos e baixos no casamento, com os meus filhos, todo este tipo de coisa, e eu tenho sido tão aberto quanto a isto que o público já sabe, então não acho que há nada no livro que possa me trazer problemas. Há uma ou duas pessoas no livro que eu gostaria de ter queimado, por causa do que sinto a respeito delas e teria sido bem fácil contar um par de histórias que as destruiriam por causa do tipo de pessoas que realmente são, e como elas enganam o público, mas eu não estou numa cruzada para contar às pessoas quem são os “duas caras” da indústria musical. A água tem um jeito de chegar à superfície, e estes caras serão expostos.

A merda foi o processo legal, porque nós gastamos centenas de milhares de dólares para revisar este livro – várias vezes. É uma loucura, porque quando você pensa em fazer um livro, você não irá ganhar uma montanha de dinheiro com isto, você acha que está fazendo como um exercício de amor, e então você observa todo seu lucro ir embora por causa da litigiosidade do nosso país. É uma merda. A versão britânica teve ainda mais vetos, por causa do processo legal. Acho que na Inglaterra, se você lança um livro, há advogados que sobrevivem somente destes lançamentos. Eles lêem os livros em busca de alguém dizendo algo sobre outra pessoa, então eles entram em contato com esta pessoa e falam, “vamos processá-lo”. Então este tipo de coisa meio que tirou um pouco da diversão de lançar o livro no Reino Unido mas, como disse, fui bem honesto com coisas deste tipo. Se eu fiz algo de errado, contei no livro, se alguém fez algo errado eu meio que deixei de lado, porque não irei salvar minha pele às custas de outro. Não é muito legal."



Sobre dividir o palco com o Metallica, a banda que Mustaine co-fundou e da qual mais tarde foi chutado:

"A coisa fantástica foi que, quando a canção acabou, eu abracei o Kirk (Hammett, guitarra) e o Lars (Ulrich, bateria), e quando eu abracei o James (Hetfield, guitarra e vocal, todos do Metallica), a multidão explodiu em aprovação e aplausos mais altos do que quando tocamos a música (Am I Evil?, do Diamond Head). Eles estavam esperando para nos ver tendo algum tipo de demonstração pública de reconciliação. Todos nós queríamos que isso acontecesse há muito tempo, e o Metallica finalmente decidiu que era a hora certa. Antes do primeiro show eles fizeram um jantar para as bandas, e eu fui até o James e disse, "Não quero consertar nosso relacionamento. Gostaria de ter um novo". E foi basicamente o que eu disse ao Kerry quando o vi no Japão. Digo, estamos todos mais velhos agora. Antes, eu disse coisas das quais me arrependo e crescí bastante."


Sobre uma possível tour do "Big Four" nos EUA:

"Todos conversamos, e Lars disse a mim que quer que isso continue. Ele falou sobre isso seguir durante o ano que vem. E nossos agentes dizem que há conversas sobre isso acontecer em 2012. Então estão todos falando agora. É apenas questão de fazer acontecer."


Sobre todas as polêmicas com o Metallica devido aos problemas nos primórdios da banda e sobre sua atual relação com os antigos colegas de grupo:

"Eu estive com eles agora na Europa, por um bom tempo, jantamos juntos e aquilo tudo foi muito bom. Eu estava lá, sentado à mesa com Lars e James, pensando o quanto era legal podermos estar juntos novamente. Estamos em bandas diferentes, mas o fato é que somos nós, aqueles três jovens caras do passado, com tudo o que realizamos, a forma como mudamos o mundo. Quero dizer, honestamente, hoje em dia você não pode assistir a um programa de televisão sequer onde não apareça alguma música que tenha de alguma forma sofrido influência daquilo que nós criamos.

Estar apto a sentar ali, lado a lado com nossos irmãos, e sabendo que naquele local estavam presentes a nata do heavy metal americano, é um sentimento muito prazeroso. Minha relação com Lars e James já foi amplamente divulgada, publicada e polemizada. Então, eu cheguei até James e lhe disse, 'eu não quero tentar consertar a nossa relação antiga, seria como tentar arrumar as cadeiras no convés do Titanic. O que eu quero é construir uma nova relação com vocês', e eu acho que é isso que temos agora, uma nova relação. Isso é ótimo... e eu verei o James novamente, quando estivermos passando com a 'American Carnage' tour em São Francisco."

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