terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Lobão - 50 Anos a Mil

Diferente de algumas pessoas que vivem dizendo que leem super-rápido mas levam 6 meses pra devolver um livro de 200 páginas, eu confesso que apesar de estar sempre lendo alguma coisa, não sou tão rápido assim. Mas dessa vez me surpreendi com minha velocidade, afinal de contas, nunca tinha devorado um livro de 600 páginas tão rápido. Estou falando da autobiografia do velho lobo, "Lobão: 50 anos a mil", lançada pela editora Nova Fronteira. Repleta de revelações bombásticas regadas a muitas loucuras, a obra é assinada em parceria com o jornalista Claudio Tognolli.



A história de Lobão aborda desde a infância do menino João Luiz Woerdenbag Filho (nome real de Lobão) no seio da típica família burguesa, com a devida criação sob todas as condições necessárias para se tornar "um bundão" (nas palavras do próprio), ao atual "pregador do evangelho da irresponsabilidade" (na definição de Tognolli). Em relatos que passeiam do chocante ao hilário, Lobão não poupa críticas a si próprio e é claro aos colegas de estrada.

Lobão declarou que escreveu o livro com a segurança de que seu relato sobrepujaria de longe a caricatura ridícula que teimam em lhe impor. De fato, o que se nota é que o velho lobo está mesmo mais contido do que o artista das entrevistas concedidas ao longo das últimas décadas.

"Sou uma criatura amorosa, respeito tanto meus amigos como meus supostos inimigos e, se fosse mais pesado em meu relato, aniquilaria a força da informação em si para virar um ressentido, um covarde, um mesquinho, um canastrão, enfim, tudo que esses idiotas, por décadas, tentam me imputar."

Lobão narra com riqueza de detalhes as quase quatro décadas de vida profissional, iniciada aos 17 anos em parceria de Lulu Santos e Ritchie, na banda Vímana. E não, ele não deixou de lado as polêmicas envolvendo Caetano Veloso, João Gilberto (que relata o diálogo entre ambos com Lobão sob efeito de cocaína) e Herbert Vianna, que supostamente plagiou na cara dura o album de estréia de Lobão, "Cena de cinema" , com o album dos Paralamas "Cinema mudo". Tudo é descrito tim tim por tim tim.

A amizade com Cazuza e Júlio Barroso (líder da gang 90) também estão em destaque no livro, assim como os problemas com excessos de drogas e a Justiça, sua prisão nos anos 80, a paixão pela cantora Marina Lima, a passagem conturbada pela Blitz, a guerra contra as gravadoras, as desavenças no meio artístico, as vaias do Rock in Rio, sua conturbada relação familiar que inclui tentativas de suicídios, traições e uma briga na qual espancou seu pai. Está tudo lá e quase sempre de forma jocosa. Lobão ratifica que mesmo se assemelhando muito a um folhetim de Nelson Rodrigues, foi assim mesmo que aconteceu.


"Lobão: 50 anos a mil" revela a relação visceral desse ícone do rock nacional com a música, seus dramas e exageros, sem papas na língua. Recomendadíssimo para os fãs do velho lobo, saudosos do rock dos anos 80, fãs de MPB e de música em geral.

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