domingo, 2 de janeiro de 2011

Minha História com o Rock - Capítulo 4

Para começar os posts de 2011 , vou dar sequência a mais um capítulo da saga "Minha História com o Rock". Nessa quarta parte vou contar um pouco sobre mais uma de minhas empreitadas musicais e a banda Razor. Pra quem ainda não leu as partes anteriores, é só clicar AQUI.

Capítulo 4

Em 1997, conheci um grande amigo, o guitarrista Gabriel Marques, membro da banda de Death Metal, Vomithus. A técnica do Gabriel é brilhante, calcada num virtuosismo à la Malmsteen. No nosso primeiro contato não poderia rolar outro papo senão música. Não demorou muito pra marcarmos nossa primeira jam session. O irmão mais novo do Gabriel, o Bruno, mesmo com 15 anos já mandava bem na bateria e desde o início nos acompanhou. Minha técnica sempre foi precária e perto do Gabriel ela se tornava nula, mas eu compensava essa deficiência fazendo as bases e colocando muita paixão e energia nas músicas.

Não lembro qual o motivo que levou a banda do Gabriel a se separar mas depois disso, Gabriel acabou convidando outro membro do Vomithus, Pedro Savignon, para tocar baixo com a gente. Nós já tinhamos escrito umas quatro músicas, bem na linha Hard Rock/Heavy Metal, que aliás, era todo nosso repertório. Certa ocasião o Pedro me contou que quando foi fazer o primeiro ensaio, não tinha idéia de como seria o tipo de som. Já estava cansado da banda de Death e ficou pensando: "Tomara que não seja uma banda de Metal". Não deu outra. Na sua visão aquilo era metal purinho. Passados 6 meses do meu primeiro contato com o Gabriel estava fechada a primeira formação do Razor. Na época a gente desconhecia a banda thrash canadense de mesmo nome mas não me recordo de grandes confabulações em torno do nome. Razor caiu bem no nosso estilo.



Na minha visão o Razor fechava perfeitamente, com o Gabriel e sua técnica apurada elevando a banda a um patamar acima das demais bandas de garagem que eu conheci na época. Como um bom homem de marketing sempre cuidei da divulgação completa da banda (fotos, posters feitos no computador etc) e em pouco tempo começamos a produzir nosso próprio material. Tínhamos umas 10 músicas ensaiadas e tocávamos também alguns covers de Judas Priest, Manowar, Steppenwolf, Rolling Stones. Se fosse hoje em dia a banda seria apenas de covers e eu não escreveria músicas próprias, pq no final das contas, foi esse detalhe que acabou matando a banda. Mas vamos falar disso daqui a pouco.





Nossos ensaios rolavam todo final de semana, no estúdio montado no sótão da casa do Gabriel (na foto acima) na Barra da Tijuca, que eu batizei singelamente de Marques' Studios, onde toda a nossa aparelhagem já ficava previamente montada. A medida que tínhamos um punhado de músicas próprias, faziamos gravações caseiras, daquelas bem toscas mesmo, de colocar o gravador na sala e mandar ver. Os shows eram escassos mas depois de um tempo, cada ensaio do Razor se tornou um verdadeiro show. A banda já estava bem azeitada e muitos amigos vinham pra nos assistir. Acabava virando um show particular. Aliás, falando em show, o maior show que fizemos foi na Fundição Progresso em 1998. Tocamos cerca de 30 minutos e conseguimos agradar ao público presente. Eu tenho esse show em VHS mas infelizmente ainda não converti pra DVD e só tenho uma única foto (abaixo).






Apesar de todos levarem aquilo muito a sério, a banda não era prioridade profissional pra ninguém e em 1999 o Pedro resolveu se concentrar nos seus projetos de Arquitetura. Pedro partiu, a amizade continuou e uns meses depois o Gabriel chamou para o baixo o Willie, um vizinho do condomínio. O Willie já conhecia a banda, estava acostumado com as músicas e logo entrou no esquema de ensaios. Aliás, em parte, já que depois de uns meses, faltava mais que outra coisa. Hoje eu percebo que ele não estava mais interessado e acabou usando isso pra forçar uma saída em vez de falar com a gente. Passamos a tocar como um trio e de vez em quando o Pedro aparecia.





Ficamos nessa até 2001 quando a banda finalmente debandou. Embora fossemos como irmãos do metal, já existia uma tensão musical latente entre eu e o Gabriel por conta das idéias para as músicas, créditos, esse tipo de coisa. Éramos conhecidos por todos os adolescentes do condomínio e do colégio do Bruno. Tínhamos um status de banda de metal underground. E na minha visão foi um choque de egos que acabou afastando a banda, embora na época eu não tivesse idéia do que isso podia significar. Se ficassemos tocando covers de nossas bandas favoritas não teriamos conflitos entre nós. Nos preocupamos em escrever músicas originais que não nos levaram a lugar algum, exceto uma crítica mediana da revista Roadie Crew, de um tape com 5 músicas que nós gravamos em 1998.





Por razões naturais do cotidiano acabamos nos afastando mas eu e o Gabriel já nos encontramos várias vezes ao longo dos anos. A banda acabou mas nossa amizade continua a mesma. Foi uma época divertida.



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