sábado, 28 de maio de 2011

Mötley Crüe - O Desabafo de Um Fã Brasileiro

Antes de iniciarem a leitura do próximo post, gostaria de esclarecer que o texto abaixo foi autorizado a ser publicado no Rodz Online pelo seu autor, o músico carioca, Criss Sexx. Apesar de respeitável e sincera, a epístola abaixo não foi redigida por mim ou alguém ligado diretamente ao Rodz Online e não representa necessariamente a opinião do Rodz Online, uma vez que concordo em alguns pontos com o Criss e discordo de outros. Na verdade, solicitei a autorização para publicar pq o que vale e realmente importa é a coragem, postura e o relato desse grande fã do Mötley Crüe.

abçs
Rodz


VINCE NEIL, SÃO PAULO, BRASIL 2010

Há mais ou menos um ano atrás (2010) fiquei sabendo que o Vince Neil iria fazer um show solo aqui no Brasil, mas na cidade de São Paulo. Sendo um fã desde 1984 (desde os oito anos de idade), eu não me importaria de fazer a rota do Rio de Janeiro – a cidade onde moro, apenas para ir ao show, e fazer o que fosse preciso para conhecer Vince e sua banda solo pessoalmente. O Mötley Crüe sempre foi a minha banda favorita, e posso dizer que gastei um bom dinheiro adquirindo sua coleção (incluindo piratas, itens ultra raros, como singles, itens em edições limitadas, boxed sets e o single original da Leathür Records “Stick To Your Guns”). Eu realmente trabalhei nesse objetivo, e consegui descobrir o hotel onde estariam hospedados com antecedência. Não é preciso dizer que fiz uma reserva lá (claro que era um hotel cinco estrelas caríssimo), e eu estava mais do que ansioso porque eu teria a chance de conhecer Vince.

No dia do show (seria quando eles estariam chegando a São Paulo, eu fiz um “early check in” no hotel e fiquei lá esperando por horas e horas. Ele estaria chegando no dia do show, então a banda ainda teria que fazer o soundcheck, era um show que aconteceria cedo. Por volta das 2 da tarde, não havia movimento algum no hotel, e percebi que havia algo errado. Eu chequei na recepção o que tinha acontecido, e eles me disseram (chegaram a me mostrar no computador do hotel) que a reserva deles tinha sido cancelada no dia anterior, às 23h00minh. Quando fiquei sabendo disso, eu corri do hotel, peguei um táxi e fiquei rodando pela cidade para ver se eu descobria onde
era o novo hotel em que ele estaria. Sem sucesso. Então fui para o lugar do show (Carioca Clube). Eu vi Vince e sua banda chegando lá. Isso só fez minha agonia piorar.

Eu tive sorte, pois um cara que eu conheço (amigão, você sabe quem você é) me disse onde o verdadeiro hotel era, mas ele me disse que era para eu ir para lá SOZINHO, imediatamente após o show. Eu já sabia qual seria o set list, e foi o que eu fiz. Peguei o primeiro táxi que vi e fui para lá. Chegar ao hotel foi fácil, mas então cinco ou seis outras pessoas também apareceram. Quarenta minutos depois, Vince e sua banda chegaram lá. Eu fui o primeiro a falar com ele. Ele assinou o meu single “Stick To Your Guns” e mais alguns CDs. Ele foi muito gentil, mas aí a segurança o mandou para seu quarto rapidamente. Dana Strum (Baixo, que também tocou no Slaughter) estava na banda e também foi muito gentil, dizendo que iriam para os seus quartos e viriam socializar conosco no bar do hotel.


O autor e Vince em 2010

Mas então apareceu uma garota (você sabe quem você é, sua vaca!) chegou lá depois de a banda ter subido para os quartos e começou a gritar. Um dos seguranças do hotel pediu que ela diminuísse o seu tom de voz – afinal já era noite e havia outros hóspedes lá (não preciso nem dizer novamente que era outro hotel cinco estrelas, super caro, e eu não podia ter mais esse
gasto fazendo outra reserva em um hotel como esse). A garota então começou a ofender o segurança, e seu então namorado começou a fazer o mesmo. O segurança em si foi bem educado, mas é claro, há um limite para tudo. Como o casal não parava de ofendê-lo, fomos todos colocados para fora do hotel (nessa hora havia mais ou menos umas vinte pessoas esperando). A confusão
ficou ainda pior quando o tal casal começou então a ofender todos os seguranças do hotel, que estavam apenas fazendo o seu trabalho. Então, para acabarem com a palhaçada, eles simplesmente colocaram uma cancela em torno do lugar. Quando a vaca viu que nada mais iria acontecer, ela despediu-se e disse que iria para a “balada”. Que vadia! Ela fez aquele escândalo, fez todos serem expulsos do hotel e foi embora. Estava frio e chovendo, e passei a noite de pé do lado de fora do hotel, sozinho, com fome, sede, não podendo usar o banheiro, até a hora que a banda saiu. Digamos que fiquei lá fora no frio e na chuva das dez da noite até as oito e meia da manhã do dia seguinte. Dana, Zoltan e Jeff (a banda solo do Vince) foram legais o suficiente para falar com a pequena multidão que estava lá por eles (umas trinta pessoas). Quando Vince finalmente deixou o hotel, ele apertou as mãos de todos pelo outro lado da cancela (ele levou,
com certeza, menos de um minuto para fazer isso), mas não tirou mais fotos com ninguém, e nem deu autógrafos. E aí eles foram embora.

Quando voltei para o Rio de Janeiro e carreguei a foto com o Vince no meu computador, para dizer a verdade, não pude parar de chorar compulsivamente. Eu tinha feito pelo menos 25% do meu maior sonho, conhecer o Mötley Crüe, tornar-se realidade! (Atire a primeira pedra o
headbanger que nunca ao menos chorou apenas assistindo o show de sua banda favorita… pude ver centenas deles chorando feito crianças no último show do Ozzy Osbourne aqui no Rio de Janeiro)


MINHA HISTÓRIA COM O MÖTLEY CRÜE (BRASIL, 2011)

No começo desse ano (2011), a turnê sul-americana do Mötley Crüe foi anunciada. Havia três shows confirmados, um em Santiago, no Chile, e outros dois em Buenos Aires, na Argentina. Teve uma estória que a banda também tocaria em São Paulo, mas para falar a verdade, eu rezava para que isso não acontecesse. Eu não estava disposto a passar por tudo que passei para encontrar Vince novamente. Então o show de São Paulo foi confirmado. As vendas começaram no dia cinco de abril. Eu comprei o meu ingresso pela internet às 00h02minh do mesmo dia, para garantir um bom lugar para ver a minha banda favorita de todos os tempos. Próximo passo – descobrir o hotel da banda. Depois de muita pesquisa sem sucesso, eu entrei em contato com um membro importante da produção americana que estava trazendo a banda para o Brasil (você sabe quem você é, muito, muito obrigado!), contando a ele tudo sobre a minha ligação com a banda, e ele me disse qual era o hotel. Eu fiz uma reserva de dois dias lá, que me custaram mais de R$2.000,00 (eu fiz um empréstimo de R$5.000,00 para isso, o que me fará ter que trabalhar, no mínimo, seis meses para pagar!)

A banda chegou a Santiago, no Chile, e depois de duas semanas tomando remédios para controlar a ansiedade, a hora estava chegando!!!! Eu teria a chance de tentar conhecer Nikki, Mick, Tommy, e ver Vince pela segunda vez!!!! Mas então recebi uma informação, aqui mesmo do Brasil, que eles ficariam em um hotel diferente do qual o cara da produção americana havia
me passado. Eu descobri o hotel em que eles estavam em Santiago, e liguei para lá duas vezes (sim, mais duas ligações internacionais para somar nas despesas), e consegui falar com o tal cara da produção. Ele confirmou a informação que tinha me dado, mas mesmo assim também fiz a reserva no outro hotel que me passaram aqui no Brasil. Se não fosse um, seria o outro. Eu tinha então duas reservas de dois dias feitas em dois dos mais caros hotéis de São Paulo. Eu tinha lido na internet que eles falaram com os fãs em Santiago, e eu não poderia perder essa chance… afinal, qualquer coisa pelo Mötley Crüe.

Cheguei ao hotel que o cara da produção me passou, fiz o “check in”, e fiquei no lobby desde as sete da manhã, no dia anterior ao show, quando eles estariam chegando do Chile. Passei o dia todo lá, e de repente o movimento de seguranças brasileiros começou. Então era aquele mesmo o hotel afinal. Mas era tarde demais para cancelar a reserva feita no outro hotel, eles me cobrariam um bom dinheiro do “no show” no meu cartão de crédito de qualquer forma. E ainda havia a possibilidade do Vince não ficar no mesmo hotel que a banda, como aconteceu em Santiago.

A equipe da banda chegou lá por volta das sete da noite, e eu falei com um dos caras. Ele me disse não sabia de nada sobre a banda, que tinham tomado um vôo diferente da equipe. Eu mencionei para ele o nome do cara da produção que me passou o nome do hotel, e só aí ele me disse então para esperar, para ver o que iria acontecer. A banda chegou ao hotel por volta
das nove e meia da noite, e havia, pelo que eu pude contar, pelo menos quinze seguranças brasileiros – perguntei a um deles a razão para tal, e ele disse que era uma exigência da banda aquele número de seguranças! E eles ainda têm os seus próprios seguranças, fora os do hotel… fui informado que cada membro da banda chegou a um carro diferente, e que todos eles já teriam entrado pela garagem do hotel. Perguntei novamente sobre a banda, e o mesmo segurança me disse que todos eles eram legais, exceto o Mick Mars (guitarrista). Ele também me disse que o Vince estava com a banda, o que tornaria as coisas menos difíceis.

Por volta das dez da noite, Vince desceu para o bar do hotel com uma loira de tirar o fôlego. Como eu também era hóspede, eu também tinha livre acesso ao bar. Apenas sentei lá e fiquei esperando uma oportunidade para falar com ele novamente, eu não queria perturbá-lo de forma alguma. Então duas adolescentes foram até a sua mesa pedir uma foto. Qualquer um podia
ver que não eram fãs, elas só queriam uma foto com uma celebridade. Ele tirou a foto com elas, e quando eu levantei para tentar também, o segurança disse que só seria possível mais tarde, pois ele iria jantar com a tal loira gostosa que estava com ele. Passei mais de três horas dentro
do tal bar e vi algumas das cenas mais ridículas que já pude presenciar. Vince estava com essa garota, beijando-a na frente de todos, e aí algumas pessoas da equipe da banda também chegaram. Nunca tinha visto ninguém beber tanto em toda a minha vida. De vinho a champanhe, de cerveja caipirinha… ele estava enchendo a cara!

Uma hora ou outra ele tirava uma ou duas fotos com alguém, mas nunca comigo. O seu assistente me disse para desistir, que o Vince estava bêbado, e que toda vez que isso acontecia ele saía de si. Eu perguntei a ele o seu nome e ele respondeu que “não era importante saber isso”. De repente esse cara decidiu que o Vince falaria com as pessoas que lá estavam esperando – mas apenas com as garotas gostosas (é claro que as feias também se aproveitaram da oportunidade). Eu fiquei muito puto! Mais tarde, o mesmo cara deixou o Vince tirar os fãs homens que estavam lá tirar fotos com ele também, mas não eu, novamente. Vince voltou a beber. Essa segunda mulher apareceu, uma loira quarentona, sentou-se ao seu lado e começou a conversar com ele. Mesmo estando com a primeira loira gostosa, ele também a beijava e a tocava, na frente de todos, apenas para se mostrar (obviamente). Mais tarde, um casal chegou lá, e eles foram chamados pelo tal assistente para ir tirar uma foto com o Vince, só porque a garota era bonita. Eles falaram para ele que eu deveria ter essa chance, pois eles não eram nem metade do fã que eu era. Ele insistiu dizendo que eles teriam a chance, porque a garota era gostosa. Eles tiraram a foto com o Vince, e eu continuei lá, esperando.

Depois de muito, muito tempo, esse mesmo cara finalmente me chama para tirar a foto
que eu tanto queria, mas Vince estava tão bêbado que mal podia falar, levantar-se ou entender uma palavra que qualquer um falasse com ele. A única coisa que ele se lembrava de fazer quando tirava fotos com as garotas gostosas era tentar beijá-las na boca e passar a mão em seus peitos ou bundas. Eu cheguei mais perto e esse assistente dele pediu para a loira quarentona levantar-se por uns instantes, para que eu pudesse sentar ao lado dele para que a foto fosse tirada. A tal mulher recusou-se a fazer isso, mas no final das contas ela sentou no colo dele e a foto foi tirada. Sim, uma foto do Vince completamente bêbado, com metade da minha cara e
metade da cara da vaca nela. Ele assinou alguns CDs para mim, mas estava tão fora de si que também queria assinar a caixa de souvenirs do Rio de Janeiro que eu tinha levado para ele.


Vince - o ébrio, e autor em 2011.

Outro cara da equipe fez questão de abrir a caixa para ver o que tinha dentro dela. Eu disse a ele qual era o seu conteúdo, mas ele deve ter achado que era alguma coisa como uma bomba.
Mais uma vez, Vince decide tirar fotos com as pessoas, e foi quando eu disse para o “inspetor de bombas” que eu era o único ali cuja foto tinha ficado péssima. Ele me disse para ir lá novamente e tirar outra foto, mas aí um fã idiota também chegou junto, fazendo caretas, e também acabou
saindo na foto. O “inspetor de bombas” estava tão bêbado que a foto saiu borrada, mas um pouco melhor do que a primeira que eu tinha conseguido. Eu sai do bar do hotel às três e meia da manhã, muito mais do que frustrado.

Na mesma noite, outras pessoas que eu conheço disseram que encontraram o Tommy Lee em algum clube alternativo GLS em São Paulo, mas que ele se recusou a tirar fotos e a dar autógrafos, e até mesmo a falar com eles… Eu não sei se essa história é verdadeira, mas alguém me disse que a primeira coisa que ele fez ao chegar ao hotel foi pedir que alguém arrumasse cocaína para ele.

Alguma coisa boa teria que acontecer no dia seguinte, o dia do show. Mas eu não vi nenhum dos membros da banda (eu estava de volta ao lobby do hotel às oito da manhã) durante o dia todo. Nikki estava usando o Twitter e estava claro que ele estava saindo do hotel pela garagem para passear pela cidade (eu tentei o acesso à garagem, mas era impossível ficar lá… disseram que um dos carros poderia ser roubado… essa é boa!). Encontrei então um pessoal legal de São Paulo que eu já conhecia e eles me ofereceram uma carona para o local do show, que era relativamente distante do hotel.

Chegamos lá, e teve o show do Buckcherry, a banda de abertura. Não curto muito o som deles, mas os respeito bastante – me disseram que eles trataram muito bem os fãs de São Paulo. Acabou sendo um bom show. Mas eu estava lá por causa mesmo do Mötley Crüe… o show deles começou uma hora e meia depois do horário marcado (coisas de Brasil). Eu estava lá, vendo a minha banda favorita tocar ao vivo!!!! Foi um bom show? Sim, foi demais, o show da minha vida… talvez por eles sempre terem sido a minha banda favorita. Nikki, Tommy, Mick e Vince cometeram vários erros tocando as músicas.

O show acabou, e voltamos logo para o hotel. Ouvimos dizer que o Vince pagou de seu próprio bolso ao pessoal do bar para que o mesmo ficasse aberto a noite inteira para ele, mas como havia uma multidão lá (cerca de vinte pessoas) ele nem mesmo apareceu. Aquele assistente idiota dele estava no lobby e no bar, convidando algumas gostosas para irem dar um simples “oi” ao Vince em seu quarto. Pelo menos eu acho que nenhuma delas aceitou o “gentil convite”, já que elas já sabiam que não seria um simples “oi” que o Vince ia querer.

Durante a espera, eu encontrei o cara da equipe com quem eu falei quando eles chegaram, Bobby. Ele foi muito gentil e nós conversamos um pouco, enquanto fumávamos do lado de fora do hotel. Eu disse a ele que eu tinha adorado o show mas que era uma pena eu não ter tido a chance de conhecer os caras da banda. Ele disse, “sim, eles não são pessoas muito sociáveis”.
Ele ficou com tanta pena de mim que me deu uma palheta do Mick Mars. perguntei a ele sobre o Mick, e ele me disse que, se eu tivesse sorte, até poderia conseguir alguma coisa com os outros três membros da banda, mas nunca com o Mick, devido a sua condição de saúde. No fim da noite, fui para o meu quarto às três e meia da manhã, ainda mais frustrado do que no primeiro dia.

Dezoito de maio, dia após o show. Eu tinha duas informações, a primeira era que a banda deixaria o hotel às onze da manhã, e a segunda era que isso aconteceria ás três da tarde. No desespero, mandei uma mensagem para o Nikki pelo Twitter dizendo “ei, Nikki, eu vim do Rio de janeiro para conhecê-lo e à banda, estou no lobby do hotel há três dias. Por favor desça e encontre-me, eu trouxe uns souvenirs do Rio para você”. Ele nem mesmo respondeu. Seu próximo post no Twitter foi que ele estava indo para um dos lugares mais perigosos da cidade. Algumas horas mais tarde, descobri que ele tinha ido à Cracolândia, ponto de venda de drogas na cidade. Era óbvio que ele preferiu ir comprar drogas a gastar cinco minutos falando com as dez pessoas que ainda estavam lá esperando por eles. Fiquei muito desapontado com isso. Às duas e meia da tarde os roadies começaram a reunir-se no lobby do hotel para irem embora, e tivemos a informação da segurança que não havia chance alguma da banda passar pelo lobby ao ir embora. Toda a equipe foi embora às três da tarde, em ponto. Talvez a banda tivesse ido também, mas fiquei lá só para ver o que ia acontecer em seguida. Os seguranças brasileiros ainda estavam lá, uns oito deles. Então era óbvio que a única razão para que ainda estivessem lá era que a banda também ainda estava lá. Nessa hora, do lado de fora do hotel, estava um caos total. Por causa do Mötley Crüe? Nem pensar. A banda adolescente McFly estava no mesmo hotel, e havia uma
centena de meninas adolescentes gritando cada vez que eles apareciam. Será que os caras do Mötley Crüe e sua equipe são tão imbecis a ponto de pensarem que elas estavam lá por causa deles?????? APOSTO QUE SIM!!!!!!

Às cinco da tarde Vince aparece no lobby com aquela primeira loura que mencionei. Havia cinco pessoas no hotel querendo falar com ele, que foram simplesmente ignoradas. O seu assistente (ah não, aquele idiota novamente) vez tudo o que ele pôde para manter as pessoas longe do Vince. E, honestamente, o próprio Vince não se importou com essas pessoas. Eu fiquei tão puto com toda essa atitude do Vince Neil que eu não mexi um músculo para chegar perto dele novamente. Ele assinou algumas poucas coisas para essas pessoas (não para todos, é claro), e estava claro que ele não queria esse tipo de abordagem dos fãs. Que atitude idiota. Seu assistente disse aos fãs que ele subiria para o seu quarto novamente, mas que voltaria em instantes para atendê-los, mas ele não apareceu mais. Então pensei que ainda teria a chance de encontrar os outros caras, já que o Vince tinha aparecido por alguns minutos. Não desisti por um segundo.

Foi quando um dos elevadores abriu e Mick Mars apareceu. Não tenho certeza, mas acho que quem estava com ele era o segurança do Nikki. Eu lembrei então de tudo o que tinha sido dito sobre Mick desde a sua chegada no hotel (o segurança brasileiro tinha dito que ele não era legal, aquele cara da equipe, o Bobby, me dizendo que era impossível chegar perto dele), mas eu não tinha mais nada a perder. Eu tinha que tentar. Eu cheguei mais perto, tentando dar a ele os souvenirs do Rio de Janeiro que eu tinha levado para a banda. Pensei então que o segurança gigante iria me dar uma porrada. Mick sorriu para mim e disse, “um presente? Para mim?”… Eu mal podia falar. Eu dei a caixa a ele, e perguntei se ele podia assinar o meu single “Stick To Your Guns”. Ele disse que seria um prazer. Enquanto ele assinava, ele conversava comigo, perguntando se eu tinha gostado do show, qual música eu tinha gostado mais, coisas assim! Eu disse a ele que não acreditava que eu estava tendo a chance de conhecê-lo, e ele disse, “relaxe, cara, o prazer é meu!”… O segurança gigante nem se mexeu para impedi-lo, e eu o agradeci por isso, depois de agradecer muito ao Mick Mars por ser um cara tão legal. Quando conheci o John Corabi (segundo vocalista do Mötley Crüe, que substituiu Vince Neil entre 1993 a 1996), ele me contou que o Mick era, de longe, o cara mais legal da banda. E ele estava certo!!!!! Então as outras quatro ou cinco pessoas que estavam lá também vieram falar com ele, e depois ele foi levado de lá. Antes de ir, ele agradeceu novamente pelo presente, mas ele mal sabe que foi ELE QUE ME DEU UM PRESENTE PARA A VIDA TODA.



Ninguém acreditaria como eu estava tremendo e me controlando para não chorar como uma criança. Foi exatamente como quando encontrei Vince pela primeira vez, quando ele foi um cara
legal. Não preciso dizer que isso foi um erro da segurança – eles deveriam tê-lo levado direto para a garagem, mas ele acabou sendo levado para o lobby. Mick Mars ajudou a realizar um sonho de vinte e sete anos, de um fã que hoje tem trinta e quatro. Após alguns momentos, a produção e os seguranças brasileiros começaram a sumir também, um a um, o que significava que o Mötley Crüe já tinha deixado o hotel, pela garagem, é claro. Mick Mars, o membro mais inacessível da banda fez valer a pena. Talvez por ele já ter passado por tantas coisas, ele já é mais velho, mais sábio. Ele sabe que um verdadeiro fã do Mötley Crüe nunca faria nada para machucá-lo.

CONCLUSÃO:

1 – NIKKI SIXX – ele fez o sonho de vinte e sete anos de um verdadeiro fã ir ralo a baixo. Ele é meu herói número um desde os oito anos de idade. Sempre apoiei a banda nos momentos bons e ruins. Continuei sendo um fã na época em que John Corabi era o vocalista. Eu acho que eu sou a única pessoa que conheço que tem aquele CD horrível do projeto “58″ que ele gravou. Ele já passou muitas coisas na vida (se as histórias nos livros “The Dirt” e “The Heroin Diaries” são realmente verdadeiras), nós, os fãs, e eu, pessoalmente, esperávamos uma postura mais madura e respeitosa para com o país que esperou trinta anos para ver a banda. Sinto em saber que ele
não se importou por um só minuto com os fãs brasileiros.

2 – TOMMY LEE – ele também ajudou a tornar um sonho de vinte e sete anos um verdadeiro pesadelo. O Mötley Crüe sempre foi a minha banda favorita, em qualquer circunstância. Sempre apoiei as idéias que ele trazia para a banda, as quais os fãs não apreciavam de forma alguma. Comprei seus CDs solo (que, bem no fundo, ele sabe que só foram vendidos para fãs de verdade como eu)… e o que dizer então do seu projeto Methods Of Mayhem? Quem ele acha que compra esses CDs? É difícil e triste, ao mesmo tempo, ver nosso baterista favorito e um de nossos maiores heróis se comportar como um rapper de merda. Gostaria mesmo de saber quantas cópias desses CDs foram vendidas. É algo que frustra saber que ele prefere estar na mídia como uma celebridade (saindo e casando com modelos famosas, socando fotógrafos e fazendo esse tipo de coisa) ao invés de estar na mídia por ser um dos bateristas mais respeitados em seu estilo musical.

3 – VINCE NEIL – Eu realmente pensei que ele fosse um cara legal. Conheci músicos que já trabalharam com ele, como Keri Kelli (guitarrista do Alice Cooper) e Brent Fitz (atual baterista do Slash) que faziam esse pensamento ainda mais forte, mesmo eles me dizendo que Vince às vezes é um idiota completo. Ele foi legal quando veio ao Brasil com sua banda solo. Talvez
por não ter vindo envolto no glamour de estar no Mötley Crüe? Por que essa atitude dessa vez? Totalmente desnecessária. Ele perdeu tanto na vida - seu amigo Razzle (baterista do Hanoi Rocks que morreu em um acidente causado por ele, por dirigir bêbado), todas as suas esposas, e sua filha Skylar. Tenho certeza que ela ficaria envergonhada ao saber que seu pai tem esse tipo de atitude com as mulheres, e que trata os fãs como se fossem moscas, pedindo que alguém os enxote dele.

4 - MICK MARS – Sem comentários… o que tinha que ser dito, já foi dito. Mesmo com todos os problemas de saúde, não se importou em gastar menos de cinco minutos de seu tempo atendendo uma meia dúzia de fãs.

Para todos os fãs da América do Sul: se vocês tiveram a sorte de encontrar os membros da banda, parabéns. Se não, apenas lembrem-se do tipo de pessoas com as quais vocês estão lidando quando tentarem encontrá-los. Ainda não entendo como esses caras deixaram as pessoas do Chile e da Argentina terem contato com eles, e aqui no Brasil foi um verdadeiro circo.

CONCLUSÃO FINAL:
O texto original, escrito em inglês, foi publicado na comunidade do site oficial do Mötley Crüe, e pode ser acessado no link abaixo:

http://www.motley.com/talk/19ff58-very-disappointed-fan-from-brazil/

Tem um monte de gente lá discutindo o texto, em sua grande maioria, achando que sou algum tipo de maluco, mas também há pessoas de bom senso que defenderam, ou ao menos entenderam o sufoco que é ser um fã de uma banda como o Mötley Crüe no Brasil. Quem puder entre lá, registre-se e dê uma força, para mostrar que nós, brasileiros, não somos o “lixo” que eles acham que somos. Abraços a todos.

Criss,

Rio de Janeiro,
e-mail: mrsexx@compuland.com.br

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