segunda-feira, 27 de junho de 2011

Moscow Music Peace Festival


Hoje eu vou falar sobre um festival que ficou marcado na história do rock. O ano era 1989. Para promover a paz mundial e estabelecer a união internacional no combate as drogas na Russia, foi idealizado o Moscow Music Peace Festival, um evento de proporções gigantescas que contou com bandas de hard rock pra animar a finada União Soviética, nos dias 12 e 13 de Agosto de 1989, no Luzhniki Stadium, com capacidade para 100 mil fãs.

O capitalismo começava a ganhar terreno e o comunismo entrava em colapso. Somente em 1991 a União Soviética seria dissolvida oficialmente, mas o festival já serviu pra expor a Russia a cultura ocidental e especialmente ao rock, se tornando um momento histórico, tanto para o país, quanto para o glam metal e para o aumento da popularidade do hard rock no mundo. O primeiro detalhe curioso: Foi a primeira vez que o público soviético pode assistir um show de pé, cantar e dançar, já que em todos os concertos realizados anteriormente, a platéia era obrigada a permanecer sentada.

Uma enorme equipe de produção foi mobilizada para que tudo saisse bem e o evento foi transmitido pela MTV americana em forma de pay-per-view. O festival tomou forma graças a "Make a Difference Foundation", fundação capitaneada pelo famoso empresário Doc McGhee. Obviamente outros figurões americanos e soviéticos estavam envolvidos no projeto também, mas a verdade é que McGhee assumiu a frente do negócio e concordou em levar os artistas empresariados por ele até Moscou por conta do próprio ter se envolvido em um escândalo com drogas e essa seria uma alternativa para o espertalhão se livrar de uma condenação.


Doc McGhee tirando onda...

O time de bandas foi da melhor qualidade e contou com os shows de Cinderella, Gorky Park, Scorpions, Skid Row, Mötley Crüe, Ozzy Osbourne, Bon Jovi e o convidado especial para o grand finale: Jason Bonham. Outro detalhe curioso: As bandas viajaram para a Russia no mesmo vôo. Cada banda podia fazer um set de mais ou menos 5 músicas, no entanto, a duração acabou variando, caso do Bon Jovi, que utilizou 8 minutos com uma única música graças a um improviso de Richie Sambora antes de iniciar "Wanted Dead or Alive".


Todas as bandas participaram de uma coletânea chamada Stairway to Heaven/Highway to Hell, produzida pela "Make a Difference Foundation". Cada banda gravou uma música originalmente gravada por algum artista falecido em decorrência das drogas ou da cachaça, incluindo aí, músicas do The Who, Sex Pistols, Jimi Hendrix, Thin Lizzy e Janis Joplin. Apesar da mensagem anti-drogas do album, ironicamente algumas bandas acabaram admitindo em entrevistas posteriores que durante o Moscow Music Peace Festival, usavam e abusavam das drogas, caso do Sr. Ozzy Osbourne que depois de seu show, concedeu uma confusa coletiva de imprensa para em seguida sair trocando as pernas.




As guerras de egos tb deram as caras no festival e muitas bandas discutiram nos bastidores por causa da ordem de apresentação. A maioria, com ciuminhos de Jon Bon Jovi e sua turma, que além de terem fechado o evento, eram considerados muito pop dentro da comunidade do hard rock e heavy metal e tinham o aparato de palco completo e maior tempo de apresentação. Aliás, esse foi um detalhe interessante, já que cada banda deveria fazer seu set sem firulas, fogos de artifício, etc. o que gerou um descontentamento generalizado.

Supostamente Jon Bon Jovi ofereceu sua posição de headliner a Ozzy Osbourne depois que o príncipe das trevas ameaçou não se apresentar, já que inicialmente, o madman estava escalado pra tocar antes do Mötley Crüe e se achava muito importante pra abrir, tanto para o Crüe quanto para o Bon Jovi. Pra resolver o problema, o Mötley Crüe aceitou tocar antes de Ozzy. A atitude de Ozzy gerou polêmica, uma vez que o evento era destinado a caridade.

A produção do show considerou como desrespeito e puro egoísmo o chilique de Ozzy, já que tanto ele quanto o Mötley Crüe já haviam excursionado juntos e se tornaram amigos nas tours dos albuns "Bark at the Moon" e "Shout at the Devil" (Respectivos albuns de Ozzy e Crüe) e decidiu dar uma sacaneada em Ozzy... na edição do evento para exibição nos EUA, Ozzy aparece antes do Mötley Crüe.



Os integrantes do Mötley Crüe também não deixaram de causar confusão. Foi dito a banda que eles não poderiam usar efeitos pirotécnicos, muito comuns nos shows do grupo. Assim como o Bon Jovi, o Crüe também tinha Doc McGhee como empresário e contestou a preferência de McGhee pelo Bon Jovi pra fechar o evento, assim como o uso de vários efeitos pela banda de Jon Bon Jovi.

Depois de muito bate-boca no backstage do estádio, o polêmico baterista do Mötley Crüe, Tommy Lee, inconformado com a decisão do empresário de beneficiar o Bon Jovi em todos os aspectos, virou um porradão na cara de Doc McGhee, que foi demitido na sequência e acabou (sabiamente) optando por voar de volta para os EUA em um vôo separado das bandas. Pra não perder a viagem e ficar mal com a comunidade Hard Rock, o Bon jovi tb demitiu Doc McGhee depois do show.



Entre mortos e feridos salvaram-se todos e o festival entrou para a história do rock. Um último detalhe curioso: O Moscow Music Peace Festival foi a inspiração para a música "Wind of Change", sucesso do Scorpions, que se tornou a trilha sonora para o colapso da queda do muro de Berlin, da União Soviética e do comunismo em geral. No fim do festival, rolou uma jam entre os músicos com Vince Neil e Sebastian Bach dividindo os vocais e Jason Bonham na bateria para executar "Rock and Roll", um clássico do Led Zeppelin.

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