domingo, 25 de setembro de 2011

Rock in Rio - O início

Aproveitando que estamos em pleno Rock in Rio, vamos dar um confere em como se iniciou o projeto para o festival segundo trechos do livro ROCK IN RIO -  A HISTÓRIA DO MAIOR FESTIVAL DE MÚSICA DO MUNDO, de Luiz Felipe Carneiro


"Todos numa direção, uma só voz, uma canção..."
Estes eram os versos de abertura do tema que o maestro Eduardo Souto Neto, velho comandante da banda de Roberto Carlos, compôs para o Rock In Rio, e que a Globo, patrocinadora do festival e que transmitiu o evento ao vivo para o Brasil e gerou imagens para cerca de 60 países, se encarregaria de enfiar à força na cabeça de cada brasileiro. Até que eles começassem a ecoar muito além da Cidade do Rock, no entanto, percorreu-se um longo caminho. Na verdade, se os superastros do pop/rock internacional caminhavam "todos numa direção" naquela época, só podia ser para o mais longe possível daqui. Freddie Mercury tentou enxotar os artistas brasileiros do caminho de seu camarim e ouviu um coro: "Viado!"

"A fama do Brasil era péssima", lembra Roberto Medina, que até tinha lá as suas credenciais para impressionar gringo (em 1980, trouxera um desconfiado Frank Sinatra para cantar no Maracanã). "Em 1984, viajei para Los Angeles na tentativa de fechar os primeiros contratos. Fui com vídeos, plantas, esquemas... Em 70 reuniões, ouvi 70 nãos. 'Vocês roubam equipamento, não pagam cachê, não têm luz...', eles diziam." Nem dá para culpar os estrangeiros: as raríssimas visitas pop ao Brasil até então tinham realmente, quase todas, terminado em barracos embaraçosos.

E, para instalar a pulga mais confortavelmente atrás da orelha dos empresários das bandas estrangeiras, o projeto era mesmo um show de megalomania: 500 mil metros quadrados de área total para o evento, com helipontos, lanchonetes, bares e minisshoppings de 25 lojas cada a leste e a oeste do palco; este, ou melhor, estes (já que se trataria de uma base giratória comportando três palcos), com 80 metros de boca de cena, a maior do mundo. "Na primeira reunião, Jim Beach, manager do Queen, olhou aquilo e confessou: 'Se um americano me mostra esse projeto, eu dou risada'", conta Medina. Beach, porém, acabou convencido.

O aval do Queen, habituado a aparatos gigantescos de produção, foi importante para alavancar o evento. O grupo de Freddie Mercury foi a segunda atração estrangeira a fechar contrato (Ozzy Osbourne deu o primeiro OK) e a notícia tornou outros artistas mais receptivos. "O festival foi todo preparado para o Queen", opina Dé, na ocasião, baixista do Barão Vermelho. "A estrutura de palco e de luz era a deles." Medina não desmente totalmente. "O grid de luzes do evento era o deles. A isso eu somei um projeto de iluminação do Peter Gasper, que envolvia outros detalhes, como iluminação de platéia. Mas realmente tinha um movimento hidráulico das luzes que só entrava em cena no show deles."

Até o Queen assinar, Medina e seus dois escudeiros, Oscar Ornstein (então com 73 anos; hoje já falecido) e Luiz Oscar Niemeyer (que dali saiu para dar seqüência à história dos megashows no país, com a Mills & Niemeyer, e hoje é presidente da gravadora BMG-Ariola) deram trombada atrás de trombada. Com as bandas heavy metal, em princípio, houve diferenças de estilo e atitude. "Eu só ando de terno e gravata", diz, categórico, um Medina vestido exatamente assim, na sede de sua empresa Artplan, no Rio. "Cheguei dessa forma numa casa em Beverly Hills para assinar com o Iron Maiden. Me recebe na porta um cidadão de cueca, com uma barba enorme, cheia de macarrão pendurado. Sentamos para levar um primeiro papo, ele continuou comendo, nem se preocupou em tirar o macarrão da barba. Nos despedimos, saí, virei para o Oscar e disse: 'Assim não vai dar, vamos comprar uns jeans, os caras devem estar achando que eu sou do FBI!'."

No fim das contas, o metal acabaria sendo o estilo dominante no Rock In Rio, com cinco bandas: Iron Maiden (que, por problemas de datas, se apresentou apenas na noite de abertura, quando dois shows eram a regra no festival), Scorpions, AC/DC, Ozzy e Whitesnake ­ esses últimos entrando em cima do laço para substituir o Def Leppard, cujo baterista, Rick Allen, sofreu o acidente de carro que o levaria a amputar o braço esquerdo na noite de Ano- Novo, a 11 dias do início do evento.

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