terça-feira, 17 de janeiro de 2012

W.A.R. – The Unauthorized Biography of William Axl Rose


Trecho não-publicado de ‘W.A.R. – The Unauthorized Biography of William Axl Rose’, biografia de Axl Rose de autoria de Mick Wall, publicada em 2007.

Os seis meses finais da turnê mundial de dois anos e meio que o Guns N’ Roses havia iniciado em 1991 foram, sob muitos aspectos, os mais fáceis. Tendo voltado ao Japão, onde sua equipe fixa de 80 pessoas chegou na manhã de 11 de janeiro de 1993 – um dia antes do primeiro de três shows no futurístico Tokyo Dome – até Axl entendia naquela altura que não era prudente emperrar a estrutura da banda. No Japão, os shows – tal como muitas outras coisas – são eventos controlados rigidamente que começam e terminam de modo planejado. Diferentemente do hemisfério ocidental, aonde certo atraso é quase que esperado pelos maiores nomes da elite cultural-liberal, sejam eles da música, moda, cinema ou artes visuais, tal atitude no Japão mal é entendida, quiçá tolerada. Como resultado, o último trecho da turnê mundial começou com um início não-customeiramente organizado, com a banda chegando para a passagem de som às 2 da tarde no dia do show, e Axl pronto para subir ao palco às 06h40min da tarde em ponto. Começando com ‘Welcome to the Jungle’, a banda mandou um set de 18 músicas, o qual eles concluíram educadamente com Axl descendo para perto da platéia para distribuir rosas embaladas separadamente, uma a uma. Apesar dos pesados traumas emocionais pelos quais ele tinha passado em casa com Stephanie, ele ainda parecia contemplar um futuro com ela. Esse trecho final da turnê seria ‘só a nata’, com a banda reduzida a sua formação mais natural de seis pessoas, permitindo a eles que coletassem um baita pagamento depois do outro enquanto eles passavam por aquelas partes do mundo que ainda não tinham cansado deles.

Nos bastidores, contudo, algumas coisas nunca mudam. Axl tinha toda sua equipe de apoio com ele, incluindo áreas especiais da coxia para Suzzy London e Sharon Maynard e suas respectivas tropas de assistentes. “Elas tinham que acompanhá-lo até o Japão para certificá-lo de que as ondas de energia negativa não o pegassem lá,” um incrédulo ex-empregado explicou. Até aquele ponto, Axl tinha solicitado informações detalhadas sobre instalações nucleares no país – e a fonte de energia do Tokyo Dome em específico – antes mesmo de ele ter chegado ao país. Enquanto alguns membros da equipe fossem tolerantes a tais patacoadas esotéricas, outros eram profundamente céticos quando ‘às reais intenções de Maynard’. ‘Se fosse pra algum lugar exótico, maravilhoso ao redor do mundo, ‘as conselheiras’ geralmente tinham que ir a determinado ponto’ um ex-empregado contaria depois à (revista) Rolling Stone. “Mas se fosse pra ir até Kansas City, estava tudo perfeitamente bem.”

O resto do tempo da banda no Japão seguiu um padrão mais convencional, começando com uma grande festa depois do primeiro show no distrito de Reppongi chamado Lexington Queen – um ponto familiar para bandas estrangeiras de passagem pela cidade, freqüentado por modelos do ocidente trabalhando em Tóquio. No segundo show, no dia 14 de Janeiro, até mesmo Axl estava começando a sentir-se mais em casa, atrasando o show por uma hora e dedicando a música ‘Yesterdays’ a seu meio-irmão Stuart. Depois, ele e a banda se juntaram a Ronnie Wood, dos Rolling Stones, que também estava tocando na cidade aquela noite, na festa ‘after-concert’ dele no Lexington Queen. Na noite seguinte, Axl apresentou ‘Live And Let Die’ como ‘Live and Let Stir-Fry’. Wood, ainda circulando com Slash desde a noite anterior, juntou-se a eles no palco para uma extensa versão de ‘Knockin’ On Heaven’s Door’, que fecharia o show.

Duas semanas depois, eles estavam na Austrália, onde o show deles em Melbourne no enorme Calder Park Raceway Stadium no dia 1 de fevereiro bateu recordes nacionais de público. Três dias depois, eles estavam na Nova Zelândia, onde Axl e Duff comemoraram seus aniversários em uma festa de aniversário conjunta num restaurante de luxo com vista para o porto de Auckland. No dia 6 de fevereiro, data do trigésimo – primeiro aniversário de Axl, eles tocaram no Mount Smart Stadium de Auckland. No clímax de ‘November Rain’, uma dúzia ou mais de membros da equipe técnica entraram no palco para entregarem um bolo gigante a seu líder, no que Slash e Duff conduziram a platéia numa versão de ‘Feliz Aniversário’ enquanto Axl tentava parecer surpreso. Quinze dias depois, eles estavam de volta aos EUA prontos para começar o trecho ‘Skin and Bones’ da turnê, como eles o chamavam agora, com um show lotado no Frank Erwin Centre em Austin, Texas. Sem a seção de metais e vocalistas de fundo, o meio do show agora tinha uma seção acústica composta quase que inteiramente do lado dois do «álbum» ‘GN’R Lies’ – menos ‘One In A Million’, que nem mesmo Axl era louco para querer tocar ao vivo.

Claro, a turnê ainda tinha seus inesperados ‘atrasos’ e datas remarcadas nas coxas. Quatro shows coram cancelados logo no começo da turnê devido a ‘condições meteorológicas adversas’. Enquanto no dia 3 de Abril um show em Sacramento foi terminado depois de 90 minutos quando Duff foi atingido na cabeça pelo que Slash disse à platéia que era ‘uma garrafa de mijo’ mas que o «programa» MTV News depois apurou ser uma garrafa plástica de água. Seja lá o que fosse, nocauteou Duff e ele teve que ser levado a um hospital local. Apesar de ter sido Axl quem anunciou que o show teria que ser parado, foi Slash quem foi ao palco e encarou o público quando ficou claro que Duff teria que receber atenção médica. Explicando a situação, ele pediu que todos fossem embora pacificamente, acrescentando: ‘Não tretem com ninguém, não zoem o prédio’. Por uma vez, ninguém o fez.

Outro show foi cancelado em Abril – essa vez no Omni em Atlanta, na Geórgia – quando Axl percebeu que era o mesmo lugar onde ele tinha sido preso depois de um embate com um segurança na turnê com o Mötley Crüe em 1987. Com Axl ainda tecnicamente sob condicional depois do processo devido ao tumulto em St. Louis dois anos antes, ele disse a Doug Goldenstein para cancelar o show. “Eu não vou ficar dando mole pra Kojak’, Axl diria depois em um comunicado à imprensa. Ele já estava ‘escaldado demais pela experiência. ’

Os incidentes mais dramáticos da turnê dessa vez decorreram do substituto de Izzy Stradlin, Gilby Clarke, que fraturou seu pulso esquerdo em um acidente de moto no dia 29 de abril, enquanto treinava para uma corrida de celebridades organizada pela TJ Martell Foundation para angariar fundos para pesquisas sobre leucemia, câncer e AIDS, o que resultou nos últimos quatros shows do itinerário da banda nos EUA serem cancelados. A ausência de Gilby também ameaçava o planejado retorno da banda à Europa naquele verão para shows em festivais. Mas Axl apareceu com uma solução de última hora. Ele simplesmente ligou para Izzy e pediu que ele fizesse os shows com eles – em caráter estritamente provisório, claro. Mais inesperadamente ainda, Izzy concordou.

“Izzy e eu crescemos juntos e somos como uma família sob vários aspectos – incluindo termos nossas diferenças,” Axl explicou depois. Quando eu o lembrei dessa declaração depois, Izzy simplesmente sorriu e balançou sua cabeça. “Bem, o que mais ele poderia dizer? Eles estavam sem opção alguma e se eu não tivesse concordado em ajudar, eles poderiam ter perdido todo aquele trecho da turnê.”

Outro detalhe revelador que emergiu do processo no fórum dizia respeito ao modo no qual a banda original de cinco membros tinha concordado em dividir seus lucros no grupo, isso ainda nos dias antes de terem se tornado tão espetacularmente bem-sucedidos. Depois de deduzirem a comissão do empresário, de 17.5 por cento, Axl descreveu como ele e Slash tinham criado uma fórmula bem peculiar para o rateio do resto do dinheiro. Durante a pré-produção de ‘Appetite’, ele disse, ‘Slash bolou um sistema para deduzir quem escreveu quais partes de uma música ou parte de uma música. Havia quatro categorias, creio eu. Eram letras, melodia, música – guitarras, baixo e bateria – e acompanhamento e arranjos. E nós dividíamos cada uma dessas categorias em vinte e cinco por cento. ’ Ele emendou: ‘Quando tínhamos terminado, eu tinha 41 por cento «dos rendimentos totais», e cada um deles tinha porções diferentes.’

Com o juiz calculando que a ‘porção diferente’ de Steven giraria em volta dos 15 por cento, o caso foi encerrado abruptamente seis semanas adentro dos testemunhos, quando no dia 24 de setembro, Axl instruiu seus advogados a fazerem um acordo fora dos tribunais, concordando eventualmente em fazer um pagamento único em torno de 2.5 milhões de dólares a Steven, além de um acordo que cederia 15 por cento de todos os repasses de royalties relativos ao período no qual ele esteve na banda – ou seja, os dois primeiros discos. Steven agora diz que o cheque foi na verdade de US$ 2.25 milhões. “Não foi um acordo para me comprar. Era o que eles me deviam. E eu consegui meus royalties de volta.”

Apesar do dinheiro, ainda é motivo de grande arrependimento para ele, diz Steven, que a banda original tenha acabado tão mal. “Eu me conheço, eu conheço Slash também, porque nós sempre falávamos sobre como poderíamos ser como o Aerosmith, como os Stones. Cara, eles estão juntos faz trinta, quarenta anos, porra.” Ele ainda disse que “a coisa mais dolorosa” tinha ocorrido ‘ao final do processo, quando todos os jurados me abraçaram e disseram ‘Boa sorte e se cuida’. Eles odiaram os outros membros do Guns N’ Roses. Quando eles estavam na cadeira das testemunhas, perguntavam pra eles, ‘Quantas vezes o senhor já teve uma overdose?’ e a resposta era vinte ou trinta vezes cada um. E ali estavam eles, expulsando esse cara legal que estava sob tratamento? Isso fez com que eles parecessem cuzões ainda maiores do que eram.”

Como já se previa, Axl ficou ultrajado com a decisão, sem conseguir admitir que Steven tivesse tido um papel fundamental na ascensão da banda ao estrelato. “Ele não escreveu nenhuma porra de uma nota em ‘Appetite’, mas ele me chama de fdp egoísta!” ele esbrevajou. “Ele tem conseguido viver daquele dinheiro, comprar uma caçambada de drogas e contratar advogados para me processar.” Ainda amargando até hoje os 15 por cento que o baterista recebe, agora se referindo ao acordo como ‘um dos maiores erros que eu já fiz na vida”, a perspectiva de Axl é que “ao longo do tempo, eu paguei por isso muito arduamente” por ter tido Steven Adler no Guns N’ Roses. Pode-se dizer que Adler também ‘pagou caro’ por estar na banda. Meses depois de seu acordo financeiro, ele teve uma overdose tão séria que desencadeou um derrame, deixando-o parcialmente paralisado. Além de sua banda ocasional, o Adler’s Appetite, com a qual ele toca intermitentemente hoje em dia, ele não tem feito nenhum trabalho sério – tampouco tem sido levado a sério – na indústria musical desde sua demissão em 1990.

Mas se Axl estava tendo seus problemas, para o resto do Guns N’ Roses, dois meses depois de a turnê mundial ter finalmente acabado, estava de volta ao batente, como se costume, com Slash, em particular, agora trabalhando em músicas novas. Também havia o lançamento iminente de um novo álbum, intitulado ‘The Spaghetti Incident?’’, que chegaria às lojas em Novembro – uma incongruente e mal-recebida coleção de ostensivos covers de bandas punk que visava estabelecer as raízes da banda além de suas óbvias conexões com o heavy metal, mas que teve o efeito oposto, fazendo com que o grupo parecesse ainda mais fora de sintonia com a época do que seus similares do nascimento do grunge, agora chegando ao zênite com o então recente lançamento do novo e brutalmente descomprometido álbum do Nirvana, ‘In Utero’. Comparando, ‘The Spaghetti Incident?’ era uma compilação insatisfatória e confusa, desde seu título obscuro até a capa do disco – um close de um prato de espaguete enlatado. Tal como a «revista estadunidense» Rolling Stone apontou em sua resenha do trabalho, ‘o punk rock é às vezes melhor interpretado como um grito vigoroso de protesto contra a própria falta de poder, mas Axl não se conecta muito bem ao material punk rock em Spaghetti a não ser como um meio de pura agressão. Ele nem consegue xingar direito.‘

Covers díspares de bandas óbvias como o The Damned «‘New Rose’» e dos Dead Boys «‘Ain’t It Fun’» com covers de grupos que não tinham nada a ver com o punk como o Nazareth «‘Hair of the Dog’» e, pra acabar, do The Skyliners «cujo sucesso de 1958, ‘Since I Don’t Have You’ se tornaria o próximo single da banda», enquanto não erraram o alvo por completo, demonstravam uma banda forçando demais a barra. Isso fica mais óbvio quando ele adota um sotaque cockney de fazer chorar ao estilo de Dick Van Dike para uma versão do clássico demente ‘Down On The Farm’ do UK Subs, mas ainda mais desastrosamente com a faixa final do disco original, uma versão de ‘Look at Your Game, Girl’, escrita originalmente pelo psicótico Charles Manson.

Acompanhado por seu jardineiro, Carlos Booy, no violão, ‘Look At Your Game, Girl’, era algo que Axl tinha gravado sozinho tarde da noite sem contar ao resto da banda. Encaixando-a no fim do disco como uma faixa bônus ‘escondida’ e não inclusa na lista impressa na parte de trás do encarte, ela era, na verdade, uma mensagem pessoal para Stephanie Seymour, com quem ele tinha rompido oficialmente enquanto os toques finais estavam sendo dados à mixagem em setembro de 1993, chegando ao ponto de retirá-la dos créditos dados a ‘parentes próximos’ no disco – apesar dele manter o nome do filho dela, Dylan. “A separação teve um enorme efeito sobre Axl,” um amigo comentaria depois. “Aquela foi a primeira vez na vida dele que ele teve estabilidade. E daí ele ficou sem nada.”

Stephanie, entretanto, tinha suas próprias ideia sobre como lidar com Axl, e em meados de 1994, ela deu entrada num processo cível contra ele, visando compensação pela violência doméstica da qual ela tinha sido vítima. Axl ficou horrorizado com essa reviravolta nos acontecimentos. No coração dele, ele nunca tinha perdido a esperança de ter algum tipo de reconciliação com Stephanie. Esse processo mostrou a ele que era em vão. Para aumentar a pressão sob a qual ele se encontrava agora, quando Erin Everly se viu intimada a testemunhar no processo de Stephanie, ela decidiu entrar com sua própria ação legal, acusando seu ex-marido de agressão e abuso sexual.
 De repente, tudo começou a ficar bem pesado para o vocalista. Uma coisa era ser humilhado por um ex-colega de banda, como ele se sentia em relação a Steven, e num grau menor, em relação à Izzy. Mas ter os detalhes mais sórdidos de sua vida pessoal discutidos abertamente era simplesmente muito pra ele. Especialmente quanto tais detalhes incluíam coisas como a ex-colega de apartamento de Erin, Meegan Hodges-Knight, testemunhando sob juramento sobre a ocasião na qual ela acordou à noite para ouvir Erin implorar a Axl, “Pare, por favor. Não me machuque, não me machuque,” enquanto Axl gritava impropérios para ela. “E de repente ele vinha e quebrava todas as antiguidades caras dela, e ela dizia, ‘por favor, não quebra isso, por favor’, e tentava tirá-las das mãos dele. E ele a empurrava e quebrava tudo que conseguia alcançar. Eu me lembro de dormir e acordar com cristal voando sobre minha cabeça, despedaçando-se no chão.”

Erin & Axl
Hodges-Knight, que estava namorando com Slash na época, lembrava-se de “pedir a Slash que fizesse algo, ou eu faria. Eu disse, ‘Eu tenho que fazer alguma coisa’ ou algo do tipo. E Slash dizia, ‘Não, você vai piorar as coisas’.” Ela também lembrou, em seu testemunho juramentado de como ela tinha testemunhado Axl chutar Everly e a arrastar pelo chão puxando-a pelos cabelos numa noite enquanto ela trajava top e calcinha transparentes. Ele em seguida jogou um aparelho de televisão contra ela, ela disse, que por sorte, não a atingiu, e depois cuspiu nela. “Aquele porco,” Meegan bradou. “Ele cuspiu nela.”
Em seu próprio testemunho, Erin afirmou que Axl abusou sexualmente dela, descrevendo em detalhes chocantes, uma ocasião quando ele primeiramente a mandou tirar um maiô que ela estava usando, amarrou as mãos dela aos tornozelos, por trás, colocou fita adesiva sobre sua boca e uma venda sobre seus olhos, e depois a levou, nua, em um armário onde ele a deixou imobilizada por horas. Ela disse que a certa altura ela conseguia ouvir Axl em outro cômodo conversando com um amigo em comum, alheio a seu sofrimento.
Quando Axl finalmente permitiu que Erin saísse do closet, ela disse, ele a pegou e pressionou-a de barriga para baixo numa cama. E ele então, ‘sodomizou-a arduamente. Muito arduamente.”
 “Você estava gritando?” ela foi questionada.
“Sim.”
“Quanto tempo durou isso?”
“Eu não lembro”
“O que aconteceu quando terminou?”
“Ele tirou e enfiou na minha boca.”
 Erin também afirmou que Axl acreditava que ela e Seymour tinham sido irmãs em uma vida passada e que agora estavam tentando matá-lo. Axl também havia dito a ela que “em uma vida passada nós éramos índios e que eu matei nossos filhos, e por isso ele era tão mau comigo nessa vida.” Ainda mais insolitamente, Erin disse que Axl havia dito que “Ele estava possuído” pelo espírito de “John Bonham”, o notoriamente louco baterista do Led Zeppelin que morreu durante o sono em 1980 após beber até desmaiar. Ela também disse que Axl em certa vez tirou todas as portas do apartamento de modo a observá-la onde quer que ela fosse.
Também veio à tona que em certa altura do período pelo qual estiveram casados, que Axl tinha sido ‘enganado’ quando tentou realizar um tipo de exorcismo, para limpar o casamento de suas energias negativas. “Envolvia principalmente um tipo de erva,” um Axl obviamente constrangido testemunhou. Um ‘trabalho em minha pele’, pelo qual ele disse que cobraram 72 mil dólares. ‘Eu acabei sendo roubado em muito dinheiro a longo prazo. ’
Esse tipo de exposição estava muito além do que Axl desejava, e apesar dele ter negado muitas das acusações, ele instruiu seus advogados a entrarem em acordo imediatamente, o que eles fizeram: um processo que viu a ex-Sra. Rose sair andando com um valor não-revelado, mas que acredita-se que passou de um milhão de dólares. Axl também ordenou a seus representantes que rapidamente coletassem todas as poucas cópias existentes de uma fita contendo a versão não-lançada do clipe de ‘It’s So Easy’ de cinco anos antes, que mostrava Erin amarrada em trajes de bondage, com uma bola vermelha enfiada em sua boca, enquanto Axl grita para ela: “Olha eu te batendo! Você vai ao chão!”

Seria essa uma cap do clipe perdido de 'It's So Easy'?
 O caso de Stephanie se arrastou por consideravelmente mais – com Axl peticionando uma ordem restritiva a certo ponto alegando que ela tinha levado cocaína pra casa dele na presença do filho dela de dois anos, Dylan. Mas, mais uma vez, com Axl arisco a ter Stephanie jogando no ventilador os detalhes dos piores aspectos de seu relacionamento com ela – de acordo com um amigo íntimo, Axl também acreditava que ele e Stephanie tinham estado juntos em mais de 15 vidas passadas – ele eventualmente entrou em um acordo antes do caso ser julgado, concordando em pagar supostos 400 mil dólares. Mais uma vez, Axl negaria muito do que sua ex-amante afirmava, até mesmo que ele tivesse pago pra se livrar do caso. O advogado de Stephanie, Michael Plonsker, não confirmou nem negou a quantia, e limitou-se a dizer que o processo foi resolvido “amigavelmente.”
 Nem Erin nem Stephanie jamais fizeram queixas-crime. O estrago estava feito, entretanto, e a história de suas ações conjuntas contra Axl chegaram à capa da revista People em 1995. Um mês depois de a revista ter publicado a história da prisão de OJ Simpson como seu indiciamento pelo suposto assassinato de sua esposa Nicole Simpson, a maioria das pessoas adotou uma visão firmemente distorcida desse caso de violência doméstica. Ironicamente, a própria Erin ainda parecia ter algum sentimento por seu isolado ex-esposo, admitindo: “Eu sentia pena dele” e “Eu achei que conseguiria melhorar as coisas.” Claramente, ela não conseguiu.
 Quanto a Stephanie, ela casou com seu novo amante Peter Brant em Paris alguns meses depois, fazendo com que Axl sofresse ainda mais paroxismos de desespero. Jogando sal na ferida, Stephanie deu a luz ao primeiro de dois filhos com Brant logo depois, e eles continuam bem casados até hoje.

Stephanie e Brant, o matador de Axl.
Era o começo do retiro de Axl do mundo. De acordo com a babá de Stephanie, Beta Lebeis, que foi trabalhar para Axl depois que o casal se separou, ele tinha ‘adoração por ela’. Apesar das terríveis discussões e brigas, quando Stephanie se mudou para Nova Iorque para ficar com Brant, Axl ficou completamente devastado. “Quando a banda acabou, ele achou que poderia ter uma família, ele se casaria e teria filhos. Essa seria a segunda parte da vida dele. Ele teria dinheiro suficiente e dedicaria seu tempo à sua família. Ele sonhava com uma família, filhos, tudo que ele nunca teve.”
Perder Stephanie havia destruído aquele sonho. “Axl é uma pessoa que quer fazer tudo do modo certo,” observou Beta. Ele era “aquele tipo de homem apaixonado que muitas mulheres gostariam de ter em suas vidas. Ele era como um príncipe encantado. Ele fez, por Stephanie, todo tipo de coisa que você poderia achar num livro de romance. Quando eles estavam quase rompendo, ele foi até a casa dela, andando a cavalo e carregando flores. As coisas que ele fez por ela só podiam ser vistas em livros de história antiga. O que ele fez não existe mais na vida real! Eu acho que muitas mulheres teriam adorado estar no lugar dela. Eu nunca deixaria um homem assim. Mas Stephanie é bonita e sexy; ela pode ter qualquer homem que desejar. Ela usa os homens como se fossem brinquedos.”
Beta emendou: “Você já viu um criança com um brinquedo novo? Daí ela brinca com ele e mais tarde não quer mais brincar. Eu sempre disse que ela poderia machucar Axl mais do que ela pensava. Outros homens que se apaixonaram por ela nunca sofreram como Axl sofreu. Ele queria fazer tudo certo, e ele realmente achava que tudo estava indo bem. Ele levou essa relação muito a sério. Ela quase o matou.”
Certamente, o conturbado fim de seu relacionamento com Stephanie Seymour pareceu trazer um capítulo significante da vida de Axl a um fim forçado. No dia 20 de janeiro de 1994, ele tinha sido um dos convidados para a entrada de Elton John para o Rock N’ Roll Hall OF Fame em Nova Iorque. Naquela mesma noite, ele cantou ‘Come Together’ com Bruce Springsteen. Seria a última apresentação que ele faria em público em seis anos.
Enquanto isso, com as vendas de ‘The Spaghetti Incident?’ despencando – ainda assim um sucesso disco de platina nos EUA, mesmo considerado um fracasso em comparação com as vendas monstruosas desfrutadas por seus antecessores – Slash passou as primeiras semanas de 1994 compondo, para o que seria ‘o verdadeiro novo disco’, recebendo um adiantamento da Geffen que se supõe que tenha sido de 10 milhões de dólares – grana de superestrelato.
Entretanto,  quando ele apresentou suas novas ideias para novas músicas a Axl, o vocalista pareceu completamente cético. Com Axl agora no controle total do nome Guns N’ Roses, não havia muito que Slash ou qualquer um dos outros membros pudesse fazer para forçar a questão, então Slash pegou as músicas de volta e começou a trabalhar no que eventualmente se tornaria seu primeiro disco solo, ‘It’s Five O’Clock Somewhere’, creditado como sendo do ‘Slash’s Snakepit’ – uma banda com Matt Sorum e [o agora desacreditado, pelo menos sob os olhos de Axl] Gilby Clarke, junto com o vocalista Eric Dover [ex-Jellyfish] e o baixista do Alice In Chains, Mike Inez – que foi lançado em fevereiro de 1995. Mas não antes de Axl dar sua opinião. “Ele ameaçou entrar com um processo por causa do primeiro disco do Snakepit, ’ diz Slash agora, com a dor e a surpresa ainda em sua voz. “Ele não queria as músicas, mas ele também não queria que eu as tivesse. Como se ele fosse meu dono.”
Exatos três anos antes, Slash disse à Rolling Stone, “Nós realmente nos sentiríamos meio que perdidos e solitários se tudo ruísse e tivéssemos que fazer discos solo, porque não seria o Guns N’ Roses. Nenhum de nós conseguiria reproduzir aquilo. Axl tem tanto carisma – ele é um dos melhores cantores do ramo. É a personalidade dele. Ele pode ir e fazer algo. O que me apavora é que se a banda acabar, eu nunca vou conseguir me separar do fato que eu sou o ex-guitarrista do Guns N’ Roses. E é quase como vender sua alma.”
Agora, todavia, tanto ele como Duff – cujo disco solo, ‘Believe In Me’, com participações especiais de Slash, Gilby, Matt, Dizzy e Sebastian Bach, tinha sido lançado em outubro de 1993 – estavam se vendo forçados a fazerem justamente isso. A banda inteira estava do nada começando a se fragmentar em projetos paralelos. Até Gilby agora estava trabalhando em um disco solo. Gilby, na verdade, seria o próximo a sair quando Axl ordenou sua demissão sumariamente sem explicação alguma – ou consultar Slash ou Duff – em Março de 1994. Na verdade, Axl esqueceu até de comunicar Gilby. Quando seu salário parou de aparecer em sua conta bancária, ele ‘tomou aquilo como um sinal’, ele diz. Quando os pagamentos voltaram a ser feitos, entretanto, ele presumiu que ele tinha sido recontratado. Quando eles pararam de novo – e então começaram e pararam pela terceira vez, tudo num período de semanas – ele consultou seu advogado, Jeffrey Light.


“Como vocês sabem, Gilby foi despedido pelo menos três vezes pela banda no último mês e foi re-contratado pelo menos duas vezes,” escreveu Light no dia 14 de Abril em uma carta para a então advogada da banda, Laurie Soriano. Em junho, quando o disco solo de Gilby, ‘Pawnshop Guitars’ foi lançado, a posição dele ficou clara: ele estava oficialmente fora da folha de pagamento do GN’R, apesar do fato de Axl – junto com Slash e Duff – fazer uma aparição no disco de Gilby como convidado. Quando os royalties de ‘Spaghetti Incident?’ pararam de chegar periodicamente, Gilby instruiu a Light que processasse a banda. Mais uma vez, Axl lutou contra a ação inicialmente antes de eventualmente chegar a um acordo fora do tribunal com um pagamento não-revelado feito para o guitarrista;
Assistindo a tais acontecimentos de longe, Slash temia pelo pior. “Logo que eu voltei pra casa, eu montei esse estudiozinho invocado e me divertia. Eu não tinha nada em minha mente sobre sair da banda, era a banda que não estava funcionando. Matt ainda estava lá, mas Gilby tinha sido demitido, e Axl estava… por aí em algum canto.”

Quanto ao paradeiro de Axl, quando ele não estava consultando advogados a respeito à última ação em que ele tinha sido enrolado, ele estava obcecado com isso também. Ferido pela maciça rejeição do grunge aos preceitos que ele tinha como muito queridos – zoado por seus vídeos ‘conceituais’, ridicularizado por lançar dois discos duplos simultaneamente, desprezado por elementos de homofobia, racismo e machismo que poluíam suas letras, ainda que atribuídos artisticamente – ele foi esperto o bastante para perceber o quão fora de época o Guns N’ Roses repentinamente pareceu estar diante da força da mídia. Mais preocupado do que nunca com os danos feitos a sua imagem pelos processos de Erin e Stephanie, sem contar suas próprias arengas públicas com Steven, Izzy, Gilby e seu ex-empresário Alan Niven, pela primeira vez desde que ele tinha chegado a Los Angeles de Lafayette, Axl se viu perdido, puto com todo mundo, ainda que inseguro sobre como lidar com isso. Além de despedir Gilby, ele mandou embargar uma biografia da banda na qual Del James tinha estado trabalhando, ‘Shattered Illusion’, que deveria ter sido publicada pela [editora] Bantam/Doubleday em junho de 1995, e ele se retirou pra dentro do mesmo círculo de baba-ovos e assistentes pagos que tinham dado assistência a ele na turnê – James, seus irmãos Stuart e Amy, sua governanta Beta, o guarda-costas Earl, e o corpo de vozes de apoio, e Suzzy London e Sharon Maynard – fazendo soca em sua mansão em Malibu enquanto ele bolava sua próxima jogada. “A raiva de Axl quadruplicou da pessoa que eu costumava sair,” lembra Michelle Young, que se encontrou com ele por volta dessa época.
De acordo com Slash, foi ao que Axl começou a pensar em fazer seu próprio disco solo. Recém-obcecado com o som eletrônico do Nine Inch Nails – ele disse a amigos que ele adoraria ouvir o Nine Inch Nails fazer um cover de ‘Estranged’ – ele planejava escrever e gravar com um ‘time dos sonhos’ composto do líder do NIN, Trent Reznor, o guitarrista do Jane’s Addiction, Dave Navarro e o baterista do Nirvana, Dave Grohl. “Daí ele mudou de idéia,” diz Slash, ‘ e pensou, por que fazer um disco solo se ele poderia fazê-lo com o Guns N’ Roses… ’
Enquanto isso, a obsessão de Axl por música eletrônica continuava a crescer. O baterista do Metallica, Lars Ulrich se lembra dele elogiar o Nine Inch Nails antes de outros o fazerem. “Ele ficava dizendo, ‘Essa é a coisa mais legal que eu já ouvi’. E nós todos ficávamos lá dizendo, ‘do que caralho você tá falando? ’ Ele botou o Nine Inch Nails para abrir pro Guns N’ Roses na Europa e eu me lembro de ouvir sobre como eles foram vaiados até saírem do palco. Mas ele estava lá conosco quanto estávamos ouvindo Judas Priest.”
Slash, que não compartilhava das novas pretensões musicais de Axl, ocupava seu tempo “fazendo uns cem shows solo, apenas bares, e coisas com o Snakepit. Coisas com as quais eu jamais fiz um centavo. Quando eu voltei, eu pensei, ‘Perdi meu emprego diurno’. Eu estava frustrado, porque não tinha nada rolando. Mas eu fiquei na minha, e daí finalmente me desiludi com a coisa toda. E foi daí que comecei a pensar em fazer meu próprio lance de novo.”
Ele não era o único. Quando Slash foi convidado por Axl para juntar-se a ele e ao resto da banda no Complex Studios de Los Angeles em Agosto de 1994 para a gravação de ‘Sympathy for the Devil’ dos Rolling Stones, que deveria fazer parte da trilha sonora do então vindouro filme com Tom Cruise e Brad Pitt, ‘Entrevista com o Vampiro’, ele ficou chocado ao descobrir que Axl tinha mais uma vez agido por conta própria, dessa vez contratando um substituto para Gilby – Paul Huge, seu amigo das antigas de Lafayette.
Considerando que nenhum deles tinha sido consultado sobre a repentina contratação de Huge, nem Slash nem Duff se deram bem com o novo guitarrista. Como um amigo em comum lembraria depois, Huge era um ‘cara bom o suficiente’, mas como ele explica, ‘eles são o Guns N’ Roses, porra. ’ Huge simplesmente ‘não era tão bom’ e não tinha ‘pegada’. Ou como Slash descreveu depois, sem maneirar: ‘A meu ver, Paul é completamente inútil. Eu odeio aquele cara. Sinto muito, eu tenho certeza que ele é um cara muito legal, mas em um contexto rock n’ roll ele é patético. Quanto ao relacionamento dele com Axl, eles são garotos de Indiana, eu posso entender que ele se sinta confortável, mas eu me recuso a tocar com Paul de novo. ’

Apesar de nem Axl ter percebido isso, a antipatia para cima de Huge se tornaria o fio pelo qual todo o novelo da banda foi puxado, com Slash pondo Axl na posição onde ele mais ou menos tinha que escolher entre seu parceiro musical original e possivelmente mais importante, ou seu antigo colega de escola. Sentindo-se acuado, Axl fez o que ele sempre faz nessas situações e chutou o balde. Ele escolheu seu antigo colega de colégio.
Falando sobre o assunto quase oito anos depois, quando Huge também já tinha saído da banda, as lembranças de Axl sobre porque ele escolheu o guitarrista diferia das dos seus colegas de banda. “Na época,” ele insistiu, “Paul era uma das melhores pessoas que conhecíamos e que estava disponível e era capaz de complementar o estilo de Slash. Você poderia trazer um guitarrista melhor do que Paul. Você poderia trazer um monstro. Eu tentei colocar Zakk Wylde com Slash e não funcionou… Paul só estava interessado em complementar Slash, fazer a base pra um riff ou algo. Isso acentuaria ou encorajaria os solos de Slash.”
Slash afirma agora, entretanto, que ele decidiu sair da banda no dia que viu Huge no estúdio, dizendo que não conseguiu nem dormir naquela noite. “Eu estava suicida. Se eu tivesse uma arma comigo naquela época, eu provavelmente teria me matado. Se eu tivesse 15 gramas de heroína comigo, eu provavelmente teria morrido. Era pesado. Era uma lacuna na qual eu nunca tinha estado. De algum modo eu consegui voltar a dormir. Daí, quando eu acordei naquela manhã, eu tomei uma decisão. “No que então, eu senti o peso do mundo sair das minhas costas.”
Não era só Huge, ele diz agora; era o mal-estar geral que Axl tinha gerado na banda insistindo que eles tentassem uma direção mais contemporânea, pós-grunge, mais centrada no eletrônico. Nesse período, Axl tinha encomendado que uma estrutura enorme fosse construída no estúdio, repleta de mesas de sinuca, máquinas de fliperama e uma parede de equipamento novo. Além da presença de Huge nessas sessões, o principal problema, diz Slash, era que Axl estava agindo abertamente como um líder auto-proclamado. “Parecia uma ditadura. Nós não passávamos muito tempo colaborando um com o outro. Ele sentava numa cadeira, assistindo. Tinha um riff aqui e um riff ali. Mas eu não sabia no que ia dar.”
Depois de vários meses, Slash decidiu que já bastava. “Há um certo lado pessoal nisso também,” ele me disse. “Eu não sei qual é a do Axl. Talvez eu nunca tenha sabido. Quero dizer, Axl chegou com Izzy, eu vim cm Steven, e todos nos conectamos com Duff.” Com Axl agora encarregado sozinho, “eu percebi que estava sozinho, e isso significava que Axl tinha que chegar a um acordo com… não com nossa animosidade, mas termos uma opinião diferente sobre tudo. E você sabe, Axl trabalha tão duro quanto todo mundo, mas só no que ele quer trabalhar, e eu… eu simplesmente perdi interesse.”
Havia também o que ele chama de ‘amargura ao ponto da falta de gerenciamento’. No fim das contas, ‘tudo gira em torno disso: se eu não tivesse largado a banda, eu teria morrido, perdido sem nada pra fazer, nenhuma relação artística mútua, nada. O que eu digo é, eu tentei ficar, mas era como uma grande porta giratória, desde equipamento de alta tecnologia, guitarristas, todo tipo de merda rolando…eu só estava esperando a poeira abaixar. Eventualmente, eu pensei, nós nunca conseguiremos colocar isso na direção certa.”
Furioso com a decisão de Slash jogar a toalha, primeiro Axl tentou abafar o caso. Mas quando, em outubro de 1996, Slash fez uma entrevista online onde ele admitia que ‘agora, Axl e eu estamos discutindo o futuro de nossa relação’, Axl apressou-se em dar sua versão da história, primeiro mandando um fax para a MTV no dia 30 de outubro no qual ele sugeria que era decisão dele que Slash deveria sair da banda, o que ele tinha concluído desde 1995. Ele não conseguia mais trabalhar com ele, disse Axl, porque o guitarrista tinha perdido seu ‘ímpeto de cair pra dentro’.
“Axl tinha uma visão de que o GN’R deveria mudar e Slash tinha uma postura de que o Guns N’ Roses era a porra do Guns N’ Roses e isso é quem eles eram,” lembra Tom Zutaut. “Eu não acho que eles conseguiriam resolver seu problema de comunicação. Não foi anunciado publicamente a princípio porque ninguém queria dizer que a banda tinha se separado.”
Para Axl, entretanto, a decisão de Slash teve menos a ver com lealdade para comum lado ou outro, e muito mais com sua teimosia. Já discutindo quanto ao direcionamento musical que o próximo disco deveria ter, e depois rejeitando Huge como substituto de Gilby, Slash tinha questionado não somente a escolha de Axl, mas indiretamente sua autoridade.  Tal qual muitos outros tinham descoberto antes, colocar Axl em uma posição onde ele estava sendo exigido a demover-se de uma de suas decisões unilaterais só poderia dar mesmo em uma coisa.
Falando sobre a dissolução para o site offcial do GN’R em 2002, Axl foi ainda mais direto ao assunto. “Originalmente eu queria fazer uma gravação mais ao estilo de Appetite,” ele explicou. “Então eu optei pelo que eu achei que faria ou deveria ter feito a banda, e especialmente Slash muito felizes. Mas me parecia que toda vez que nos chegávamos perto de algo que funcionava, não era por opinião que Slash dizia ‘Hey, isso não rola’, mas era limado justamente por funcionar. Em outras palavras, ‘Hey, peraí. Isso pode de fato dar certo, não podemos fazer isso’.”
Uma afirmação estranha de se fazer, já que sucesso não era algo do qual Slash tinha sabidamente se retraído anteriormente. Mas tal como Axl emendou: “As pessoas gostam de me chamar de paranóico. Isso não tem nada a ver com paranóia; tem a ver com realidade… Slash escolheu não estar aqui por causa de questões ligadas a controle. Agora as pessoas podem dizer ‘Bem, Axl, você está atrás de controle sobre a banda também’. Vocês são muito engraçados. Está certo. Eu sou o responsável desde o começo. Quando o assunto é Guns N’ Roses, eu posso não fazer tudo certo, mas eu tenho uma boa idéia sobre como levar as coisas do ponto A ao ponto B e sei o que é que temos que fazer.”

As ramificações da saída de Slash, entretanto, seriam devastadoras. Como Duff diz agora, tudo começou a ruir violentamente depois que “Slash virou as costas e disse, ‘Que se foda’. Ele e Axl não se falavam mais. Tinha se tornado algo irracional”.Em retrospecto, Duff diz, era apenas uma questão de tempo até que Slash saísse porta afora. Os dois sempre tinham sido próximos. Quando Duff se separou de sua primeira esposa Mandy em meados do Natal de 1989, foi Slash quem o amparou, permitindo que ele ficasse em sua casa, mudando seus planos de Natal para ficar com Duff. Com o passar do tempo, todavia, Duff sentiu-se cada vez mais como um intermediário na disputa de Slash com Axl, “aquele a quem ambos recorriam, e eu fiquei com a impressão de estar sendo manipulado por crianças”.Quando Slash saiu, no começo Duff resignou-se à vida na banda sem seu velho amigo. Quando, um ano depois, Axl decidiu que Matt Sorum seria o próximo a tomar a bota, Duff soube que era o fim pra ele também.
De acordo com Matt, ele saiu depois de uma acalorada discussão com Axl – sobre Slash. Eles tinham conversado no estúdio quando Paul Huge comentou que tinha visto Slash tocar com sua banda, a Snakepit, no [programa televisivo] David Letterman Show na noite anterior e que tudo “soava como uma merda e parecia uma merda”.Matt diz agora: “Ele estava falando merda do Slash. Eu disse, ‘Escuta filho da puta, quando eu estiver na mesma sala, eu gostaria que você não falasse porra nenhuma do Slash. Ele ainda é meu amigo. Você não serve pra amarrar o sapato daquele cara. Ele tem mais talento no dedinho do pé do que você, filho da puta, cala a boca!’ E daí Axl pulou na minha cara. Eu disse, ‘Quer saber, Axl, mano? Você está fumando pedra se acha que essa banda é o GN’R sem o Slash. Você vai tocar ‘Sweet Child O’ Mine com a porra do Paul Huge? Sinto muito, cara, não vai ficar bom. A porra de ‘Welcome to the Jungle’ sem Slash? E Axl diz, ‘Eu sou o Guns N’ Roses – eu não preciso de Slash’. Eu disse, ‘Quer saber? Não, você não é.’ E a gente ficou nessa xanice; ficou aquela cutucação por uns 20 minutos. E daí ele finalmente disse, ‘Bem você vai pedir as contas/’ Eu disse, ‘Não, eu não peço a porra da conta;’ E ele disse, ‘Bem, então você ta despedido, caralho.’
“Paul Huge saiu correndo atrás de mim no estacionamento e disse, ‘Porra cara? Volta lá e pede desculpas’! Eu disse, ‘Vai tomar no cu, Yoko! Tô fora!’ e foi isso. Eu fui pra meu palácio de seis andares de rock star com dois elevadores e meu Porsche. Eu estava produzindo uma banda chamada Candlebox na época, eles estavam morando na minha casa. E eu disse, ‘eu acabo de ser despedido’. Eles disseram, ‘Ah, que nada, ele vai te chamar de volta’, e eu disse, ‘Não, não dessa vez’. Porque ele já tinha me despedido antes, mas ele sempre me ligava de volta. Eu disse, ‘Não, acho que não’. E cerca de um mês depois, eu recebi a carta dos advogados.”
Duff: “Matt nunca foi um membro integral da banda, ele estava no assento ejetor e Axl disse ‘Eu vou mandar ele embora’. Eu respondi que essa decisão precisava de mais do que uma pessoa pra ser tomara já que éramos uma banda, que ele sozinho não representava a maioria. E por causa disso Matt disse a ele que ele estava errado. A verdade é que Matt estava certo e Axl estava de fato errado.”
Mas Axl não escutava, e já fazia tempo que não. “eu pensei, eu nunca toquei por dinheiro e não vou começar agora,” diz Duff. “Eu tenho uma casa, eu estou financeiramente seguro.”
Isso, foi contudo, “meu pior momento de minha carreira no Guns. Eu saí pra jantar com Axl e disse a ele, ‘Já deu, cara. Essa banda é uma ditadura e eu não me vejo tocando sob essas condições. Ache outra pessoa.’”
E foi em 1997, que o Guns N’ Roses começou a transformar-se na banda que carrega o nome hoje em dia. Com o tecladista e parceiro de longa data de Axl, Dizzy Reed como o único sobrevivente da formação do sexteto de Use Your Illusion e Paul Huge ainda teimosamente no meio de tudo, o resto da banda agora era agregado pelo ex-guitarrista do Nine Inch Nails, Robin Finck – recomendado originalmente por Matt, aconselhando a Axl que ele seria um grande parceiro para Slash, que então foi ouvido respondendo: “Não, ele seria um grande substituto para Slash” – o baixista Tommy Stinson [cujos discos ‘Tim’ e ‘Pleased to Meet Me’ com sua ex-banda, The Replacements, inspiraram uma geração de bandas de rock alternativo] e o ex-baterista do Vandals, Josh Freese [natural da Flórida e criado em Los Angeles, também conhecido com o ‘Bruce Lee da bateria’].
Foi nesse período que começou de fato o trabalho sério em material novo. Ainda que Axl ainda não se decidisse quanto a uma metodologia de trabalho que resultasse no tipo de resultado musical esotérico que ele estava procurando, Axl tinha testado desde o astro techno Moby, o ex-baixista do Killing Joke,Youth, e em abril de 1998, o ex-produtor de Marilyn Manson e do Nine Inch Nails Sean Beavan. Mas ninguém durou muito.
Youth [nome de batismo: Martin Glover] diz que agora ele sentiu que o mal de Axl era ‘em parte, o perfeccionismo. A psicologia é que se você tem algo lançado, você é julgado – então você quer ficar numa posição onde não seja julgado.”Enquanto Moby lembra de alguém” emocionalmente reservado “e paranóico que não tinha mais certeza do que queria fazer.” Ele parecia um pouco com um cachorro que tinha apanhado.”Ele ainda diz que Axl tornou-se” Meio defensivo quando eu perguntava a ele sobre os vocais. Ele apenas dizia que ele ia trabalhar em cima deles mais cedo ou mais tarde. Eu não ficaria surpreso se o disco jamais fosse lançado, eles têm trabalhado nele já faz tanto tempo.”“.
Nos bastidores, os executivos da Geffen estavam começando a entrar em pânico. Eles ofereceram a Youth um prêmio adicional se ele conseguisse terminar o disco. Trabalhando inicialmente no setup da mansão em Malibu, apenas tocando violão enquanto encorajava Axl a cantar, ele lembra de como eventualmente Axl “simplesmente pulou fora, disse, ‘eu não estou pronto’. Ele estava bem isolado. Não havia muita gente na qual ele confiasse. Era muito difícil passar pelas paredes que ele havia construído.”
Instruindo seus engenheiros de estúdio que continuassem gravando quaisquer ideias que vários músicos que ele tinha convidado tocassem, chegou um ponto onde Axl estava recebendo até cinco CDs por semana com vários mixes diferentes de canções propostas. Com o tempo, uma pilha de mais de 1000 CDs e fitas DAT tinha se erguido, tudo meticulosamente arquivado e rotulado. “Era como a biblioteca do Congresso ali dentro,” diz outro empregado do estúdio.
A vida pessoal de Axl estava igualmente à deriva ao longo desse período. Se os anos 80 tinham sido mais do que bondosos com ele, os anos 90 pareciam ser a hora do pagamento. Ainda sofrendo com o esmagador fim de seu precioso caso com Stephanie, todo ano, quando chegava o aniversário dela, ele “se trancava por semanas” duma vez. Ele confessou que muitas das canções que ele estava agora tão tortuosamente tentando terminar eram diretamente sobre ela, e falavam abertamente de sua esperança que um dia, o filho dela, Dylan, as ouvisse e ‘soubesse da verdade’ sobre o relacionamento.
A dissolução gradual da banda que ele tinha trabalhado tão duro para construir também afetou Axl muito mais do que ele estava preparado para admitir, até mesmo para si próprio. Sua separação de Slash, em particular, ele via como ‘um divórcio’. Quando Shannon Hoon morreu de uma overdose acidental de drogas, em Nova Orleans, 1995, ele sentiu muito. Axl se sentia como um mentor do jovem músico. Sua morte trágica e desnecessária convenceu Axl de que a fama era uma armadilha ainda maior do que as drogas que de fato tinham tirado a vida de seu amigo.
O pior ainda estava por vir, e foi logo após a morte de Shannon que Axl recebeu a noticia de que sua mãe, Sharon, estava doente com câncer. Ainda confuso quanto a seus sentimentos sobre ela, ele vacilou entre querer estar com ela e precisar estar sozinho. Ela tinha apenas 51 anos, e apesar dele amá-la, Axl ainda não tinha exatamente a perdoado por não ‘protegê-lo’ quando criança do abuso físico e mental que ele sofreu por parte de seus dois pais. Ainda assim, Axl, Amy e Stuart insistiram em voar até Indiana para visitar a mãe deles não muito tempo antes dela morrer. Quando Sharon finalmente faleceu, nas primeiras horas de 28 de Maio de 1996, o filho mais velho dela ficou completamente devastado.
Quando o antigo colega e colaborador ocasional de Axl, West Arkeen morreu com apenas 36 anos, exatamente um ano depois, Axl começou a pensar que era uma maldição. West tinha trabalhado em seu próprio projeto, The Outpatience, que tinha acabado de lançar seu disco de estréia, ‘Anxious Disease’ [com contribuições de Axl, Slash, Duff e Izzy]. Mas seus planos tiveram que ser temporariamente abandonados quando um churrasco deu muito errado e ele foi levado ao hospital com queimaduras de segundo e terceiro graus por dois terços de seu corpo. Voltando pra casa da UTI apenas 10 dias depois, acredita-se que ele tenha ‘acidentalmente’ ingerido uma overdose de opióides que tinham sido receitados para dor, resultando em sua morte precoce. Contudo, permaneceu a suspeita de que o cantor e compositor, que tinha sido viciado em heroína bissextamente, tinha deliberadamente se aplicado uma dose maior do que a receitada.
Como se quase um insulto, foi também em 1997 que uma peça musical de teatro, ostensivamente sobre Axl, chamada de ‘White Trash Wins Lotto’ [‘O Caipira Ganha na Loteria’], começou a ser encenada. Escrita e narrada pelo ex-frontman do Wall of Voodoo Andy Prieboy, White Trash rapidamente arrebatou um culto de seguidores em Los Angeles, onde suas piadas satíricas sobre executivos gananciosos da indústria musical e os roqueiros ignorantes que eles exploravam e lançavam ao estrelato – baseadas vagamente na história de Axl saindo do Meio-Oeste para achar a glória em Hollywood – pareciam bem autênticas. Tendo começado como um monólogo no teatro Largo, onde músicos e comediantes competiam regularmente por espaço, no fim da década, ‘White Trash’ tinha se tornado uma bem-sucedida produção da Broadway, o equivalente da Costa Oeste de Hedwig: Rock, Amor e Traição, gozando do culto mórbido em torno de Jim Morrison enquanto explorava o vazio do estrelato Hollywoodiano, repleto de strippers de Sunset Boulevard com coristas no estilo de ‘Gigi’ e jovens do Meio-Oeste transformados em ídolos. A figura de Axl foi interpretada com inofensividade inócua por Brian Beacock.

Fonte: Site do LoKaos Rock Show

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